O fracasso na operação de salvamento da plataforma de produção de petróleo P-34 pode causar o derramamento, no oceano, de 11 milhões de litros de óleo, que estão armazenados em seus tanques. O volume é cerca de nove vezes superior ao derramado na Baía de Guanabara em janeiro de 2000, quando uma tubulação da Petrobras se rompeu. ?O problema só não é maior porque a plataforma fica longe da costa?, afirma o biólogo Mário Moscatelli.

?Esse é um risco inerente a plataformas deste tipo?, diz o professor Segen Estefen, especialista em engenharia naval da Coordenação de Programas de Pós Graduação em Engenharia (Coppe), da UFRJ. Essas plataformas são chamadas no jargão petroleiro de FPSO, sigla em inglês para unidades flutuantes de produção, estocagem e transferência de petróleo e são feitas sobre cascos de antigos petroleiros.

As FPSO?s foram desenvolvidas para operar em regiões distantes das redes de dutos que ligam os campos produtores ao continente. Quando atingem um determinado volume de armazenagem, o óleo é transferido para outro petroleiro, que o leva para bases em terra.

De acordo com Estefen, os FPSO?s são usados em outras regiões produtoras, como o Mar do Norte, entre o Reino Unido e a Noruega. ?Mas não são permitidos no Golfo do México, por exemplo, por causa das condições climáticas, com furacões e fortes marés?, ressalta. Para ele, uma embarcação como a P-34 tem um risco maior por ter casco simples, o que a torna mais frágil em caso de colisão.

A Petrobras mantém navios e bóias de contenção de petróleo em volta da P-34, para evitar que o óleo se espalhe em caso de naufrágio.

Atualmente, a estatal tem nove plataformas deste tipo em operação na Bacia de Campos, no litoral norte do RJ. São diferentes da P-36, que afundou no ano passado, porque esta não armazenava o óleo que produzia.