Washington – Fracassou ontem a reunião dos co-presidentes da Alca, o brasileiro Adhemar Bahadian e o norte-americano Peter Algayer, que tentavam um acordo para a retomada das negociações, suspensas desde fevereiro. O negociador brasileiro lamentou que os Estados Unidos tenham voltado atrás em algumas posições e introduzido uma demanda de limitação de acesso a mercado para produtos agrícolas, com a possibilidade de exclusão de alguns produtos da lista de liberalização.

Bahadian informou que ele e Algayer retomarão os contatos no próximo dia 2 de junho em Buenos Aires, mas reconheceu que, diante da falta de um acordo na reunião de ontem, tornou-se muito remoto o fechamento do acordo da Alca até janeiro de 2005, como previsto no calendário oficial.

Enquanto os Estados Unidos oferecem dificuldades para a abertura de seu comércio com o resto do continente, a União Européia e o Mercosul trocaram ontem novas ofertas de abertura comercial, como parte das negociações para um acordo de associação que querem concluir em outubro. Em uma semana, as partes se encontrarão na reunião ministerial de Guadalajara, no México.

As novas ofertas ampliam as apresentadas anteriormente, que já propunham uma liberalização de mais de 90% por parte da Europa e 83,5% por parte do Mercosul. A troca foi feita com mais de um mês de atraso, período durante o qual houve negociações intensas entre as partes, para garantir que a oferta do interlocutor fosse satisfatória.

A nova oferta da UE inclui uma maior abertura do setor agrícola, de grande interesse do Mercosul, e, principalmente, cotas maiores para vários produtos, dependendo do resultado das negociações na OMC. Os europeus propõem um acesso sem restrições, ao fim de 10 anos, para vários produtos do Mercosul antes excluídos da liberalização, disse o negociador-chefe europeu, Carl Falkenberg. Além disso, quase 300 produtos agrícolas processados terão redução tarifária de 50%, como o suco de laranja, iogurtes e biscoitos.