Brasília

– O governo do PT pretende fixar em até R$ 80 mensais o valor da ajuda que cada pessoa carente terá direito a receber do Programa Fome Zero. Num primeiro momento, essa ajuda deve ficar em R$ 50 por pessoa devido às limitações orçamentárias. A idéia do PT é somar tudo o que a família já recebe dos programas do governo federal e dos estaduais e dividir pelo número de integrantes. Caso a renda não chegue a R$ 80 por pessoa, o governo completará.

O PT quer ampliar em mais dois milhões o número de pessoas que recebem ajuda alimentação. Não há previsão de dinheiro para esse fim no Orçamento da União, mas os gastos que o projeto vai provocar estão sendo estudados pela coordenação do programa. A equipe já está convencida que a ajuda de R$ 15 do projeto Bolsa-Escola e do Bolsa-Alimentação, por exemplo, é muito pequena e não é suficiente para garantir alimentação às famílias.

“Não vamos desmantelar o que já está feito” – Uma das coordenadoras do programa, Maya Takage, disse que a idéia do presidente eleito é preservar os programas implantados por Fernando Henrique, ampliando-os e complementando a renda das famílias quando a ajuda oferecida não atingir o teto que será fixado pelo futuro governo.

Controle

Segundo Maya, a Secretaria de Emergência Social tem como principal objetivo trazer para a esfera federal a responsabilidade e o controle dos programas de combate à fome e à miséria. Esta é a principal crítica que os petistas fazem à política implantada por Fernando Henrique, que atribuiu a estados e municípios a gestão dos programas sociais. O partido do presidente eleito também acha que o governo pulverizou as ações e que isso pode significar desperdício de recursos.

Para o consultor de Orçamento do Senado, José Rui, o Orçamento do ano que vem não terá qualquer folga para o aumento dos gastos socais. Caso o presidente eleito pretenda ampliar o atendimento, terá que cortar em investimentos que, na prática, são as emendas dos parlamentares.