Um funcionário da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) foi afastado hoje após denúncia de que ele teria tentado comprar um certificado de habilitação para uso de desfibrilador. O documento comprovaria que o bombeiro civil que estava na universidade no dia em que a universitária Angelita Pinto Simões Caldas, 28, morreu, após sofrer uma parada cardíaca, tinha habilitação para usar o aparelho.

Reportagem exibida hoje pelo programa “Fala Brasil”, da Rede Record, mostra uma conversa telefônica entre o funcionário da FMU Wesley Santiago e o diretor da Escola de Bombeiros, Moises Gomes. Na gravação, Santiago pede para que o certificado fosse emitido com data anterior à morte da universitária e afirmou que a instituição estava ciente do pedido.

“Devido àquela ocorrência, da morte da aluna, nós tivemos várias complicações aqui, né? Polícia Científica, jornalistas. Então o que acontece? A gente tem que se precaver de todas as formas”, disse Santiago na gravação exibida pelo telejornal.

O funcionário que tentou comprar o certificado disse que o bombeiro civil que estava na faculdade no dia da morte da universitária não tinha “curso de nada” e que ele teria feito apenas cursos por correspondência.

“[O certificado] vai ajudar e muito, porque eles estão querendo processar o bombeiro. Então nós temos que comprovar que ele é habilitado”, afirmou.

Em nota, a FMU afirmou que “o funcionário agiu por conta própria, sem autorização, consentimento ou conhecimento da Instituição”. Além de afastar o segurança, a faculdade informou que abriu uma sindicância para apurar os fatos denunciados na reportagem da Record.
O caso
A universitária Angelita Pinto Simões Caldas, 28, morreu dentro de uma sala de aula do curso de ciências contábeis na FMU (Faculdades Metropolitanas) do Itaim Bibi (zona oeste), na noite de 23 de agosto.
Ela começou a passar mal, teve uma parada cardíaca e desmaiou. Foi socorrida primeiro por alunos e, depois, por bombeiros e Samu.

Na ocasião, colegas de classe da estudante afirmaram que a faculdade não se deu conta da gravidade do caso e demorou para chamar o socorro.

Há versões diferentes para o tempo que a universitária levou para ser atendida.

A FMU afirmou que o socorro foi pedido às 21h40 e que o primeiro atendimento, dado pelos bombeiros, foi feito às 21h51, passando-se apenas 14 minutos desde que a universitária começou a passar mal até o atendimento.

Mas um vídeo gravado pelo estudante mostra um relógio marcando 22h11 enquanto uma aluna faz uma massagem cardíaca em Angelita. Nem os bombeiros nem o Samu estavam prestando atendimento à estudante naquele momento.

Um outro vídeo exibe um bombeiro chegando ao local, minutos depois. As imagens não mostram Angelita passando mal, mas, segundo alunos e o professor que dava aula na hora, Alfredo Meletti, 47, isso aconteceu às 21h30.

Segundo esta versão, teriam se passado pelo menos 42 minutos entre a aluna passar mal e o atendimento feito pelos bombeiros.