| Agência Senado |
| Azeredo: ele foi injusto. |
Belo Horizonte (AE) – O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) classificou ontem como ?inoportunas, injustas e incorretas? as declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que em carta aberta divulgada anteontem disse que o partido errou ao tentar ?tapar o sol com a peneira? e protegê-lo inicialmente das acusações de envolvimento com o valerioduto na campanha de reeleição ao governo de Minas, em 1998.
?É uma declaração realmente inoportuna e incorreta. A solidariedade que eu tive das bancadas do PSDB na Câmara e no Senado naquele momento, além de adversários, inclusive, foi exatamente porque eles não taparam o sol com a peneira e souberam separar as questões?, disse à reportagem, por telefone.
Azeredo, que participava de campanha em municípios da região oeste de Minas, ao lado do candidato a vice na chapa à reeleição do governador Aécio Neves (PSDB), Antônio Anastasia, afirmou que não havia lido a ?Carta aos Eleitores do PSDB?, divulgada no site da legenda. Mas disse que tomou conhecimento e conversou com vários ?companheiros? sobre a contundente análise do ex-presidente.
O senador mineiro manifestou estranheza com a autocrítica envolvendo seu nome. ?Em nenhum momento ele (FHC) me falou nada. Ele tinha liberdade para falar isso para mim e não falou nada comigo naquela época?, reclamou. Azeredo aproveitou para alfinetar o ex-presidente, sugerindo que o período eleitoral e as comparações entre os oito anos de seu governo e o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva motivaram o posicionamento crítico. ?Talvez porque a campanha às vezes caminha com acusações contra ele e não contra o (Geraldo) Alckmin (candidato do PSDB à Presidência). Talvez ele esteja incomodado porque a campanha não se dá entre Lula e Alckmin, às vezes se dá entre Lula e ele?, disse.
O senador voltou a afirmar que o esquema do mensalão no governo petista não tem paralelo com as irregularidades na sua campanha para um novo mandato à frente do Palácio da Liberdade, em 1998. ?Continuo com a minha posição desde o início. Eu não tive responsabilidade naqueles fatos e foram questões meramente eleitorais, totalmente diferente do que aconteceu depois com o PT?, disse.
Segundo ele, os tucanos não precisam ter constrangimento para criticar o escândalo no governo Lula. Mas ponderou, se referindo a problemas em ?questões ligadas a campanhas eleitorais?: ?Também não acho que seja uma área em que se possa jogar pedra à vontade não. Acho que todos têm telhado de vidro?, afirmou.
Para rebater a avaliação de FHC, Azeredo insistiu que na época recebeu o apoio de todos os líderes tucanos no Congresso e disse que não se arrepende de ter deixado a presidência do partido somente depois de surgir a informação, em outubro do ano passado, de que uma dívida sua com Cláudio Mourão – tesoureiro da campanha de 1998 – foi paga com um cheque no valor de R$ 700 mil do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. O pagamento foi feito em 2002. ?Tal empréstimo não teve aval meu nem de ninguém do partido e foi pago, teve início meio e fim. É diferente do empréstimo do PT, que é um empréstimo que não foi pago?, alegou o senador, que acredita que agiu corretamente ao permanecer como presidente do partido mesmo após as denúncias do suposto valerioduto em 1998.