Despertada por telefonemas de amigos com a informação de que a ativista Ana Paula Maciel, de 31 anos, seria libertada pela Justiça da Rússia, a família da bióloga brasileira viveu um dia de alívio nesta terça-feira, 19, em Porto Alegre. “Quando ela fica longe, em suas atividades, sabemos que está fazendo o que gosta, com amigos, mas desde a prisão vivíamos uma angústia diária”, revelou a sobrinha Alessandra, de 18 anos. “Agora, estamos felizes porque, mesmo que ela tenha de ficar lá, será em liberdade e não numa prisão.”

 

Enquanto estiver sob liberdade condicional na Rússia, Ana Paula não poderá voltar à casa onde mora com a mãe, a motorista de transporte escolar Rosângela, de 56 anos, a irmã Telma, representante comercial, e Alessandra, estudante, na capital do Rio Grande do Sul. A ativista estava entre os 30 manifestantes do Greenpeace presos em 18 de setembro quando protestavam contra a exploração de petróleo no Ártico.

A família passou o dia recebendo informações do Greenpeace, organização à qual Ana Paula é ligada, mas não falou com ela. Soube que a fiança de R$ 140 mil será paga pela organização, assim como as passagens para Rosângela e Alessandra viajarem à Rússia para um encontro com Ana Paula, provavelmente no fim de semana.

Em entrevista à Rádio Estadão, Rosângela revelou que não conversa com a filha há mais de um mês porque a ativista tinha dificuldade – como enfrentar fila e burocracia – para acessar o único telefone disponível quando estava presa em Murmansk e depois em São Petersburgo. Mesmo com a experiência da prisão, a mãe afirmou acreditar que Ana Paula não desistirá do ativismo. “Acho que ela vai dar um tempo e depois voltar às atividades”, previu.

A motorista confirmou que Ana Paula tem apoio da família e não receberá qualquer apelo para deixar a militância. “Não vou pedir nada, sempre incentivei e não vai ser agora que vou pedir para ela retroceder”, ressaltou. “É escolha dela se vai continuar ou não, mas acredito que vai”, prosseguiu, prevendo até que filha bióloga “vai dar uma descansada, botar as ideias no lugar porque a cadeia deve ser traumatizante, mas abandonar o ativismo, não”.

Enquanto espera pela organização da viagem e pelo encontro com Ana Paula, a motorista conforma-se com a perspectiva de não vê-la voltar para casa imediatamente. “Fiquei feliz, pelo menos ela não está presa numa cela, vai estar em outro ambiente; mas feliz mesmo eu estaria se ela estivesse voltando para o Brasil”, revelou. “Mas isso não vai acontecer por enquanto.”