Porto Alegre – O polêmico aborto negado pela Justiça acabou ocorrendo em Bagé. Segundo a família da adolescente que desde o início do mês lutava para interromper a gravidez provocada por estupro presumido (por ela ser menor de 14 anos na época), a jovem sofreu um aborto espontâneo em casa, na noite da última terça-feira. Apresentando dores e sangramento, a paciente de 14 anos foi atendida na madrugada da quarta na Santa Casa de Misericórdia de Bagé. O diagnóstico assinado pela médica plantonista Maria Conceição da Silveira confirma o aborto espontâneo. A cópia do laudo deve ser encaminhada ao Tribunal de Justiça, em Porto Alegre, anulando o julgamento final do caso.
Segundo a diretora-clínica da Santa Casa, Terezinha Ricaldone, não foram identificados indícios de indução do aborto. O feto já havia sido eliminado em casa. ?Não foi encontrado nada que chamasse atenção do contrário, como resíduos de medicamentos ou marcas de pinça usadas por parteiras, então a causa ficou registrada como aborto espontâneo. Mas não temos como confirmar a causa, tudo é possível?, afirmou Terezinha. Ao mesmo tempo em que encerrou um dilema judicial e uma polêmica que dividia os gaúchos, a notícia iniciou uma nova discussão. A delegada responsável pela investigação do estupro, Lisandra de Castro de Carvalho, anunciou a abertura de investigação para confirmar se o aborto foi realmente espontâneo.
?Vamos ter de saber como aconteceu, isso é o que ela está dizendo. Se ela provocou, pode ser considerada adolescente infratora. Se a mãe estiver envolvida, vai responder a inquérito?, disse a delegada. Seguindo um procedimento de rotina, o feto deve ser encaminhado pelo hospital para exame anatomopatológico, que pode detectar a presença de processo inflamatório ou má-formação fetal. O exame, no entanto, não é capaz de comprovar a causa do aborto. Apesar do aborto, a investigação sobre o estupro continua.


