Falta de renda, falta de estudo

Brasília – Famílias numerosas, com renda até dois salários mínimos e que moram em zona rural têm a maior tendência a ver seus filhos deixarem a escola antes de completar o ensino fundamental. No Dia Mundial da Educação, comemorado ontem, os dados de uma pesquisa feita pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação confirmam que a falta de renda também leva à falta de estudo, que mantém a falta de renda. A pesquisa ouviu 12,6 mil pessoas e foi apresentada, ontem, em uma audiência na Câmara dos Deputados. De acordo com os dados da pesquisa, metade das pessoas entrevistadas que saiu da escola, gostaria de voltar a estudar. Mas a lista de fatores que torna isso difícil é grande. Apoio financeiro, horários compatíveis com o trabalho e vagas em escolas perto de casa – um problema maior para quem vive na zona rural – são fatores apontados pelos entrevistados que impedem a volta ao estudo. Depois disso, uma oportunidade profissional em que necessitassem ter maior escolaridade. ?Essas pessoas acabam não por abandonar a escola, mas sendo abandonadas por ela, que não consegue seduzir e encantar, principalmente aos jovens?, disse o secretário de educação continuada do Ministério da Educação, Ricardo Henriques, durante a audiência pública da Câmara sobre o Dia Mundial da Educação.

Dados do MEC mostram que apenas a metade das crianças que entram na 1.ª série termina a 8.ª série. A pesquisa apresentada pela Campanha – feita pelo instituto Paulo Montenegro – mostra que 39% dos 12,6 mil entrevistados deixaram a escola entre a 1.ª e a 4.ª série do ensino fundamental. O secretário admite que a baixa qualidade das escolas é o principal problema do País e falta financiamento para garantir a melhoria do sistema. ?Se fala em ?prioridades?, de forma quase irresponsável. Não se trata de prioridades, no plural, mas da prioridade, no singular, que deve ser dada à educação?, afirmou.

Bonecos

Manifestantes montaram ontem uma ?sala de aula? ao lado do prédio do Ministério da Fazenda na qual os ?alunos? foram 36 bonecos de papelão representando autoridades do governo e líderes partidários. Entre os ?alunos?, estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ministros da Fazenda, Antônio Palocci; do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Casa Civil, José Dirceu; o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles e parlamentares. Segundo Alexandre Arrais, membro da organização não-governamental Actionaid, o movimento é para chamar a atenção do governo para a necessidade de financiamento da Educação. Segundo ele, seriam necessários 8% do PIB para executar o Plano Nacional de Educação, enquanto os investimentos na área representam 4,5% do PIB.

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