Foto: Arquivo/O Estado

Soldados fazem sentinela na saída no morro da Mangueira.

Na madrugada de ontem traficantes do Morro da Mangueira, zona norte do Rio, reagiram com tiros à ocupação da favela pelo Exército. Desde segunda-feira, 500 militares estão no local fiscalizando automóveis e revistando moradores. Os disparos foram ouvidos por volta das 3 horas. O Exército ocupa 12 favelas em busca de 10 fuzis e uma pistola roubados na sexta-feira de unidade do Exército.

Para o Comando Militar do Leste foram "tiros de inquietação", para intimidar a tropa. Segundo o presidente da Associação de Moradores do Complexo da Mangueira, José Roque, teriam sido os militares que atiraram. Um caminhão de transporte teria caído numa vala. Os militares teriam se assustado e dispararam. O CML desconhece o acidente.

"Foi uma trapalhada", disse Roque, crítico da operação militar. Ele reclamou do bloqueio, na segunda-feira, de 18 acessos aos seis morros do complexo. "Somos mais de 50 mil moradores e temos o direito de ir e vir."

Um dos coordenadores do trabalho no morro, o coronel André Novaes, acredita que a convivência com a população é pacífica. "Nossos soldados sabem como é morar numa comunidade, porque vêm de comunidades."

Soldados começaram a distribuir na Mangueira panfletos com o telefone do Disque-Denúncia – (0xx21) 2253-1177 – e os dizeres: "Os bandidos que roubaram as armas não se preocupam com o bem de sua família. Eles vão usar as armas para aumentar a violência contra você. Denuncie os bandidos e os locais de esconderijo das armas."Segundo o CML, o disque-denúncia recebeu 272 chamadas com informações sobre o roubo.

Em entrevista à Rádio CBN, o secretário da Segurança Pública do RJ, Marcelo Itagiba, disse não ter dúvida de que os traficantes estão acuados com o cerco do Exército, com apoio da polícia. Para ele, o roubo foi "um ato de desatino de quem está precisando muito de armamento".