Tabatinga (AM) – O governo vai unir Exército e Polícia Federal no combate ao crime organizado não apenas na Amazônia e no Rio de Janeiro, mas em todo o País, principalmente na região de fronteira. O anúncio foi feito ontem pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, em Tabatinga (AM), onde as duas instituições já atuam conjuntamente.

Durante visita a instalações da Operação Cobra (junção das sílabas iniciais de Colômbia e Brasil), Thomaz Bastos anunciou, ainda, que pelo menos mil das 4 mil vagas no concurso que a PF vai fazer este ano serão destinadas à região Norte. “Nossa intenção é estar presente. Onde o Estado não chega, o crime toma conta”, disse o ministro.

Segundo Thomaz Bastos, as ações não serão apenas de repressão, mas também sociais. “Temos um exemplo disso na Operação Cobra, que diminuiu o tráfico e faz um trabalho em torno da população que está ameaçada pelo narcotráfico”, afirmou o ministro, que se reuniu com o comandante da 16.ª Brigada de Infantaria de Selva (BIS), sediada na cidade de Tefé (AM), general Joaquim Silva e Luna, para discutir novas ações de cooperação. Uma das intenções das duas instituições é colocar em uma mesma unidade soldados do Exército e agentes federais. “Nós podemos ajudar a fazer as prisões, enquanto a PF fará sua função normal de polícia, que é autuar”, explica Silva e Luna.

Hoje, o trabalho conjunto entre PF e Exército praticamente se restringue ao Rio, na área de inteligência, enquanto na Amazônia os militares dão suporte logístico aos policiais. Agora, o governo pretende estender este trabalho, inclusive nas fronteiras do Brasil com outros países no Centro-Oeste e Sul do País. O governo já criou uma comissão que está estudando as formas de atuação.