Washington – Raramente o ditado popular “quando um não quer dois não brigam” foi tão apropriado para descrever o estado das relações entre dois países como hoje, entre o Brasil e os Estados Unidos. Depois de ter praticamente ignorado a viagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez à Síria e à Líbia, por julgar que o que o Brasil tem a dizer sobre o Oriente Médio não tem maior conseqüência, o governo americano deixou claro, na semana passada, que não dá maior importância à recente rusga sobre procedimentos de entrada de brasileiros nos EUA e de americanos no Brasil nem tem interesse em deixar que ela prejudique as relações entre os dois países, que, do ponto de vista americano, está boa, a despeito das percepções em contrário.

Tendo rejeitado o pedido de dispensa da exigência de visto de entrada para brasileiros nos EUA antes mesmo de Lula ter proposto uma negociação a respeito a seu colega americano, George W. Bush, na segunda-feira, durante um encontro em Monterrey, o governo americano constatou que não tem mesmo por que se preocupar com o assunto. Numa demonstração de que a iniciativa provavelmente não passou de uma improvisação do Itamaraty, na qual o País invocou o princípio da reciprocidade, na sexta-feira o ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, propôs a Lula que o governo deixe de cobrar os US$ 100 de taxa para a concessão do visto de entrada para os turistas americanos e passe a conceder o visto no momento do desembarque. Segundo Mares Guia, o presidente “achou a idéia ótima”.