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Estudo questiona cirurgia precoce de próstata

Pesquisa realizada ao longo de 20 anos confirma o que cientistas já suspeitavam: a cirurgia de câncer de próstata não oferece benefícios para homens no estágio inicial da doença. Nos diagnosticados precocemente, o procedimento não prolongou a vida e, com frequência, causou sérias complicações, como infecção, incontinência urinária e disfunção erétil.

A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira, 12, na revista científica The New England Journal of Medicine. Os cientistas da Universidade de Washington em Saint Louis (EUA) compararam, entre homens com câncer de próstata em estágio inicial, resultados da cirurgia e da simples observação. Vários dos homens em observação não precisaram de nenhum tratamento, porque no estágio inicial o câncer de próstata cresce devagar e raramente causa sintomas.

“Cerca de 70% dos diagnosticados com câncer de próstata estão em estágios iniciais da doença e têm tumor não agressivo, que fica confinado na próstata e, portanto, têm excelente prognóstico sem cirurgia. O estudo confirma que o tratamento agressivo é frequentemente desnecessário”, afirma um dos autores, Gerald Andriole.

A descoberta ajudará a aprimorar os cuidados. “Esperamos que os resultados façam médicos desistirem de recomendar cirurgia ou radioterapia em pacientes com câncer de próstata não agressivo em estado inicial – e também convençam pacientes de que intervenções não são necessárias.”

A pesquisa começou em 1994, assim que testes de sangue para câncer de próstata se tornaram rotina nos Estados Unidos. Com muitos diagnósticos, o padrão de tratamento passou a ser cirurgia ou radioterapia – e se acreditava que isso elevaria a sobrevivência. Mas, nos anos seguintes, complicações ligadas aos tratamentos preocuparam cientistas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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