A população negra predomina no Brasil, é jovem, tem mais filhos, é mais pobre e está mais exposta à mortalidade por causas externas, especialmente homicídios, segundo o estudo Dinâmica Demográfica da População Negra Brasileira, divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O trabalho mostra a trajetória da população negra e suas componentes, como fecundidade e mortalidade, comparada à população branca e aponta implicações para a demanda por políticas públicas. Amanhã, 13 de maio, completam-se 123 anos da abolição da escravatura no Brasil.

Os brancos sempre foram majoritários no total da população brasileira. No entanto, o Censo Demográfico de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que, naquele ano, a população negra superou a branca, lembra o Ipea. Foram contabilizadas 97 milhões de pessoas que se declararam negras, ou seja, pretas ou pardas (na nomenclatura do IBGE), e 91 milhões de pessoas brancas.

Segundo o Ipea, “o fenômeno pode ter ocorrido devido à fecundidade mais elevada observada entre as mulheres negras, mas também de um possível aumento de pessoas que se declararam pardas em relação aos censos anteriores”.

O estudo indicou também que a população branca apresentou uma redução na faixa de idade menor de 20 anos, de 4,2 milhões de pessoas, entre 1999 e 2009. Na população negra, o fenômeno ocorreu apenas entre crianças menores de cinco anos e a redução foi de 402 mil pessoas. “Por outro lado, a população idosa negra aumentou em 3,6 milhões e a branca, em 3,2 milhões”, informa o Ipea.

Além da fecundidade mais elevada entre a população negra em relação à branca, outra diferença importante na dinâmica demográfica encontrada está no perfil da mortalidade, tanto por idade quanto por causas. “Os óbitos da população branca eram mais concentrados nas idades avançadas. Entre os negros, notou-se uma proporção bem mais elevada de mortes na população de 15 a 29 anos, o que pode ser explicado pelo fato da população negra ser mais afetada pelas causas externas”, como homicídios, diz o Ipea, acrescentando que isso é mais recorrente entre os homens.

Lar

Baseado em dados de 2009, diferenças também foram encontradas na configuração dos arranjos familiares e no papel social da mulher. Cresceu o número de mulheres que chefiam domicílios, porém, o aumento foi mais expressivo entre as brancas, segundo o Ipea, acrescentando que esses fatores provocaram mudanças nas características dos domicílios brasileiros. A contribuição das mulheres brancas no total da renda das famílias foi de 36,1% e a das negras, de 28,5%, lembra o instituto.