Um estudo do Banco Mundial feito com base no desempenho econômico do Brasil e nos índices de pobreza calculou que, para reduzir a pobreza à metade até 2015, o País precisaria crescer à média de 6% ao ano. Se o crescimento for de 1% ao ano, a pobreza não diminuirá. Se for de 2%, a redução será muito pequena, segundo informação do representante do Bird que participou hoje do encerramento do seminário Estratégias de Superação da Pobreza, Antônio Magalhães.

O Banco Mundial trabalha com os dados oficiais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que estima o número de pobres em 54 milhões, sendo que desse total 22 milhões são indigentes. Magalhães defendeu a focalização das políticas de combate à pobreza que, resumiu, ?está principalmente no Nordeste, na área rural e nas pequenas cidades.? Já a representante da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Marlova Noleto, defendeu outra corrente da assistência social que aposta nas ações mais globais para diminuição da pobreza. ?Há uma visão maniqueísta do Estado  de que é mau, corrupto e por isso precisa ter o Estado mínimo. Mas o afastamento do Estado das políticas sociais agrava a pobreza?, sustentou Marlova.

Walter Franco, representante da Organização das Nações Unidas no Brasil lembrou que os grandes encontros internacionais ?têm a fama de estabelecer metas que não são cumpridas?. Em relação à pobreza, a tradição se mantém. Em 1996, os países-membros das Nações Unidas fixaram a meta de reduzir em 50% a pobreza mundial até 2015. Significa que deveria haver 410 milhões de pobres daqui a treze anos. No entanto, atualmente ainda há, segundo a ONU, 815 milhões de pobres, o que indica que a meta não será cumprida.

Franco anunciou que ainda este ano começará a funcionar, com sede no Rio, o Centro Internacional de Estudos da Pobreza. Quinze estudiosos de várias partes do mundo vão se transferir para a cidade. O centro vai concentrar infomações sobre diferentes experiências de combate à miséria no mundo inteiro e aperfeiçoar profissionais que atuam nessa área.