Estudantes da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) afirmaram, em carta pública, que não reconhecem Anna Maria Marques Cintra como reitora da instituição.

“Quando procurada para dialogar, [Anna Cintra] ignorou os pedidos da comunidade, mantendo-se reclusa e em silêncio”, diz o documento.

Cintra foi indicada por dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo e grão-chanceler da PUC, mesmo tendo ficado em terceiro lugar em uma eleição entre alunos, funcionários e professores. Desde então, os estudantes, professores e funcionários estão em greve.

A carta aberta afirma que, desde que foi indicada ao cargo, Cintra foi procurada por veículos de comunicação ligados à universidade -TV PUC, Rede PUC, PUC Viva e AgeMT (Agência de Notícia Online Maurício Tragtenberg)- porém nunca atendeu aos pedidos de entrevista ou deu alguma declaração.

Os estudantes citam ainda outra três vezes em que a nova reitora foi convidada para falar publicamente com a comunidade acadêmica, porém não compareceu a nenhum dos eventos.

Durante o período de campanha, os três candidatos à reitoria assinaram um documento em que afirmavam que não assumiriam o cargo caso não ganhassem a eleição.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, a nova reitora da PUC afirmou que “a assinatura foi feita num momento de constrangimento, de protestos na campanha contra os três candidatos. Todos assinaram o papel”. Cintra também afirmou que percebeu depois que o documento que assinou em que se comprometia a não assumir o cargo quando “era uma armação”.

De acordo com a carta dos estudantes, o único contato que Cintra teve com a comunidade acadêmica foi durante o evento no qual se comprometeu a não assumir o cargo em caso de derrota nas urnas.

Conselho universitário

No dia 28 de novembro, o Conselho Universitário da PUC-SP aprovou, por maioria absoluta, um parecer com efeito suspensivo da posse de Anna Cintra.

A decisão foi tomada depois que estudantes entregaram ao conselho recurso questionando a nomeação dela para o cargo. Um novo reitor temporário foi apontado para o cargo até a próxima reunião do conselho.

Dias depois, a mantenedora criticou a decisão do Conselho Universitário. “O grão-chanceler julgou nula de pleno direito a decisão do Conselho Universitário, por ferir ato jurídico perfeito”.

Na carta pública, os estudantes declaram que o “cardeal ignorou completamente a deliberação da instância superior de decisão da PUC, incorrendo inclusive em ato passivo de contestação judicial”.