As recentes ações da Polícia Federal, entre as quais a Operação Castelo de Areia, que levantou indícios de evasão de divisas e lavagem de dinheiro envolvendo a construtora Camargo Corrêa, e a Operação Satiagraha, que investigou o banqueiro Daniel Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta, vão ser alvo de debate amanhã no Estado, a partir das 10 horas.

O encontro “Polícia, Justiça e Estado de Direito – Há excessos das autoridades no combate ao crime do colarinho branco?” será realizado no auditório do Grupo Estado, em São Paulo, e reunirá quatro especialistas no tema: Roberto Troncon, diretor da Divisão de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal; Fernando Mattos, presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe); Wagner Gonçalves, subprocurador-geral da República, e o advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, que ocupou cargos de secretário de Justiça e de Segurança Pública.

O trabalho da polícia, do Ministério Público e mesmo de parte da Justiça tem sido alvo de críticas. A atuação do delegado Protógenes Queiroz no comando da Operação Satiagraha, o excesso de prisões temporárias e de interceptações telefônicas seriam alguns dos exemplos da falta de controle das autoridades.

O debate também tem como pano de fundo o pacto republicano firmado na semana passada pelos presidentes dos Três Poderes – que tem entre suas principais propostas a criação de uma nova lei de abuso de autoridade. O projeto, a ser enviado ao Congresso nas próximas semanas, prevê punições a agentes públicos que expuserem presos à imprensa, que indevidamente algemarem acusados, que usarem inquérito com finalidade política ou forem responsáveis por vazamento de dados sigilosos.