O super-esquema de lavagem de dinheiro com cartões de crédito identificado no Banco de Brasília (BRB) alcançou a Câmara dos Deputados. Dos 80 cartões de crédito, que lavou pelo menos R$ 3 7 milhões em apenas um mês, 20 utilizaram a agência 3596 do Banco do Brasil, localizada no edifício do Congresso Nacional. Cada cartão movimentou em média R$ 50 mil. Entre os sacadores está Welinton Brito David Carvalho, assessor do ex-deputado Coriolano Sales, apontado pela CPI dos Sanguessugas como um dos parlamentares que cobrava propina em troca da apresentação de emendas para compra de ambulância no orçamento da União. Procurado em seu telefone disponível na lista, Welinton não foi localizado.

As escutas telefônicas realizadas pela polícia civil do Distrito Federal apontam indícios de que o super-esquema, que mantinha cartões de crédito em nomes ONGs (Organização Não-Governamental) para lavar dinheiro de procedência duvidosa, teria funcionado em cinco instituições financeiras ligadas ao setor público: Besc (Banco do Estado de Santa Catarina ), Banco da Amazônia (Basa) e Banpará (Banco do Estado do Pará). Outros dois bancos, o BRB e a Nossa Caixa, movimentaram a maior parte do dinheiro ilegal.

No caso do Basa, vinculado ao governo federal, os promotores do Ministério Público aguardam a visita e um procurador da República para repassar a documentação. As suspeitas foram construídas a partir de grampos telefônicos e de um vasto material, entre computadores até notas fiscais, obtido pela operação Aquarela. Em relação ao Besc, federalizado no governo passado, as escutas levantam a suspeita de que teria ocorrido fornecimento de notas fiscais da ONG "Instituto Êxito", também envolvida na ponta do mesmo esquema na capital Federal através do Banco Regional de Brasília (BRB).