São Paulo – O publicitário Duda Mendonça, responsável pela criação e produção dos programas de rádio e TV da candidatura de Marta Suplicy, já avisou ao comando da campanha, que não tem fórmula mágica para vencer as dificuldades enfrentadas pela petista na disputa com o tucano José Serra pela Prefeitura de São Paulo.
Uma coisa é certa: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá gravar mensagens de apoio à prefeita, mas não deverá ser a estrela do programa. Como não será o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dos programas de Serra. A conclusão do comando das duas campanhas é que nem um nem outro agrega votos e devem no máximo gravar mensagens de apoio.
Para piorar a situação de Marta Suplicy, a direção do PT teve que driblar semana passada uma crise financeira que deixou sem pagamento Duda Mendonça e as empresas de publicidade que cuidam das campanhas petistas em Nova Iguaçu, de Lindberg Farias, e em Salvador, do derrotado Nelson Pellegrino.
No segundo turno, a primeira vitória do PSDB foi na reunião de quarta-feira, com o juiz eleitoral José Joaquim dos Santos e o advogado de Marta, Hélio Silveira, quando garantiu que os programas de TV só começassem dia 15, sexta-feira. Os coordenadores da campanha de Marta queriam antecipar a propaganda no rádio e na TV. Segundo a avaliação interna da equipe de Duda, já transmitida ao Palácio do Planalto, a entrada de ministros e de Lula adiantaria pouco, porque o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), principal cabo eleitoral de Serra, tem uma avaliação ótima e boa, muito superior à de Lula.
Duda avisou ainda que não vai jogar baixo e desaconselhará atacar sem provas consistentes Serra e o candidato a vice na sua chapa, Gilberto Kassab, o que poderia causar muitos direitos de resposta, como aconteceu no primeiro turno. Marta deve usar o discurso da parceria com o presidente Lula e mostrar gráficos para denunciar que FHC repassou menos dinheiro para a prefeitura que Lula.
Uma proposta em discussão na equipe de Marta é virar as baterias contra Alckmin, já pensando em 2006. Arranhar a imagem de bom administrador do potencial candidato do PSDB à Presidência da República poderia render prestígio a Marta no PT. “Há uma sensação no PT de que o ?picolé de chuchu? está passando incólume, crescendo caladinho, e daqui a pouco ele está no Alvorada. Uma opção é tacar pimenta no ?chuchu???, dizia um coordenador de Marta.
Do lado tucano a estratégia nos programas de rádio e TV é mostrar tranqüilidade, aprofundando as propostas de Serra, sem muitas novidades.
José Serra abre 12 pontos sobre Marta
São Paulo
– A nova pesquisa anunciada ontem pelo Instituto Datafolha mostra o candidato a prefeito de São Paulo José Serra (PSDB) à frente da prefeita Marta Suplicy (PT), candidata à reeleição. Segundo o levantamento, Serra tem 51% das intenções de voto, enquanto Marta leva 39%. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.Os números divulgados ontem mostram que o candidato do PSDB a prefeito de São Paulo tem a simpatia de boa parte do eleitorado do ex-prefeito Paulo Maluf (PP), eliminado no primeiro turno. Segundo a consultora de análises eleitorais, Fátima Pacheco Jordão, estima-se que entre 60% e 70% dos eleitores que votaram em Maluf no primeiro turno migraram para Serra, assim como cerca de 50% do eleitorado que escolheu outros candidatos. “Esses resultados confirmam o cenário desenhado no primeiro turno. Como era de se esperar, Serra recebe boa parte das intenções de voto dos candidatos eliminados no primeiro turno”, disse.
Fátima afirmou, no entanto, que esses valores poderão ter alterações significativas ao longo das próximas semanas, em função dos padrões diferentes que devem guiar as campanhas de cada um dos candidatos. “Serra é o favorito, mas este cenário deve se alterar com a disputa a dois no horário eleitoral e nos debates”, acrescentou.
Apesar de o candidato do PSDB a prefeito ter vantagem expressiva em relação à prefeita de São Paulo, a consultora reconheceu que a performance de Serra nas urnas pode sofrer com a escolha de um feriado para o segundo turno. “O eleitorado tucano é o que tem mais condições de viajar, por exemplo”, disse.


