O novo pacote do governo para solucionar os problemas de congestionamento nos aeroportos de São Paulo foi considerado "precipitado" e "vago" pelo presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo (SBTA), Anderson Ribeiro Correia. "As medidas só foram anunciadas agora por conta do acidente (com o Airbus da TAM)", afirmou. Ele considerou que os reflexos do pacote só deverão ser sentidos no médio prazo.

Correia, que também é professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), criticou a falta de definições sobre quais serão as prioridades nos investimentos. "A construção do terceiro aeroporto deveria ser precedida da reforma em Guarulhos", avaliou. Ele chamou a atenção para a falta de detalhes sobre como as obras serão executadas. "O governo falou em readequação, mas não deixou claro o que vai ser feito em Guarulhos e em Viracopos", afirmou.

Segundo o presidente da SBTA, ao anunciar medidas em várias frentes, o poder público, com suas conhecidas restrições orçamentárias, corre o risco de não concluir nada. "Será que o governo tem R$ 5 bilhões para construir um novo aeroporto?", questionou.

Além focar as ações, o especialista defendeu a necessidade de definição das responsabilidades sobre os investimentos. "Não é possível anunciar uma obra sem saber quem serão os responsáveis por ela", observou. Ele lembrou que, em princípio, a iniciativa privada não pode operar aeroportos. A solução em estudo pelo governo seria a abertura de capital da Infraero.

Ainda sobre o novo aeroporto, Correia afirmou que a localização será fundamental para analisar a viabilidade da construção. "Esse novo aeroporto precisa estar bem mais próximo do que Viracopos", considerou. Do contrário, ele avaliou que a ampliação do aeroporto de Campinas valeria mais a pena para resolver o problema no curto e médio prazos.

O presidente da SBTA disse que a transferência dos vôos de Congonhas ajudará a aliviar o aeroporto, mas poderá sobrecarregar Guarulhos e Viracopos, que hoje não estão preparados para receber o movimento. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e as companhias aéreas têm 60 dias para definir quais vôos serão remanejados.