Enterro com uniforme foi político, diz professor

Para o catedrático português de História Eugénio dos Santos, autor da biografia Dom Pedro IV (como Dom Pedro I ficou conhecido em Portugal), a principal razão para que o imperador do Brasil tivesse sido enterrado com o uniforme de general português, sem nenhuma condecoração ou comenda brasileira, é política. “Quando uma figura desse gênero morre, deixa de pertencer à família para pertencer ao círculo que o rodeia”, afirmou.

Para ele, a decisão deveria ter sido tomada pelos nobres que constituíam o estado-maior de Dom Pedro durante a guerra civil que teve contra seu irmão entre 1831 e 1833: o Marquês de Sá da Bandeira, o Duque de Saldanha, o Duque de Palmela e o Duque da Terceira.

Santos acredita que pode ter sido uma resposta aos inimigos de Dom Pedro: “Havia muitos portugueses que consideravam que ele era um traidor, por ter feito o grito do Ipiranga e dado a independência ao Brasil”. Mesmo no Brasil, ele criou inimigos entre a comunidade portuguesa. “Depois da independência, foi feita uma subscrição pública para obter dinheiro para uma marinha brasileira e os portugueses não contribuíram. Dom Pedro chegou a escrever artigos em jornais contra esses portugueses.”

Santos indica que o imperador poderia ter contraído a tuberculose que causou sua morte na França, antes de embarcar com as tropas que iniciaram a guerra civil ou nos Açores, onde o clima úmido facilitava o surgimento de doenças respiratórias. Sobre a altura do imperador – entre 1,66 e 1,73 m – o professor universitário de História do Brasil Jorge Couto afirma que era alto para a época. “Na década de 1950, um século depois, a altura média dos portugueses ainda era inferior a 1,60 metro.”

Couto também diz que faz sentido o fato de que Dom Pedro foi enterrado com um pouco de solo da cidade do Porto, apesar de ter morrido em Queluz, perto de Lisboa. O professor lembra a ligação que o imperador tinha com a cidade depois da guerra civil. “Quando o corpo foi enterrado, o coração de Dom Pedro ficou numa igreja do Porto.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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