Rio – Foi enterrado ontem em Queimados, na Baixada Fluminense, o 50.º policial militar morto em confronto com criminosos no Rio desde o início do ano. O cabo Paulo César Lopes foi baleado durante uma operação do Batalhão da Praça da Harmonia (5.º BPM), no Morro do Pinto, no conjunto de favelas da Providência (zona portuária), na noite de sexta-feira.

Segundo a PM, uma equipe de policiais fazia ronda na favela quando foi atacada por traficantes. Houve intenso tiroteio e Lopes foi atingido na cabeça por um tiro de pistola. Socorrido, ele morreu na mesa de cirurgia do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro.

Horas antes, havia sido sepultado com honras militares o policial militar Wilson Santana, do Batalhão de Operações Especiais (Bope), morto na Vila Cruzeiro. Após o confronto de três dias com traficantes, a PM continua ocupando a favela da zona norte. Autoridades de segurança investigam a informação de que presos do complexo penitenciário de Bangu teriam dado ordens para que os traficantes locais interrompessem os tiroteios.

Ainda na noite de sexta-feira, a Polícia Civil prendeu 18 pessoas numa operação na Favela do Jacarezinho (zona norte). Entre os detidos, além de três menores, estava um traficante suspeito de participar de ataques contra PMs. Os policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) usaram um carro blindado, o ?caveirão?, na incursão. Houve troca de tiros e o blindado chegou a ser atacado com granadas. Os policiais vasculharam a favela por cinco horas e apreenderam três fuzis, quatro pistolas, duas granadas e drogas.

A guerra urbana no Rio paralisa praticamente todas as atividade em algumas regiões da cidade. Na sexta, os moradores da favela Vila Cruzeiro, na zona norte, não puderam trabalhar ou ir à escola. Segundo informações, 3.700 alunos da região ficaram sem aulas, pois a energia elétrica foi cortada por causa dos tiroteios. Já o comércio nas áreas dos conflitos acumula no ano prejuízo de R$ 5 milhões, com queda de 75% nas vendas.