No segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), não houve problemas durante a entrada dos estudantes no Colégio Objetivo da Avenida Paulista, na região central de São Paulo. Mais de 2 mil candidatos estão registrados para fazer o exame na unidade. Ninguém chegou atrasado, mas uma aluna esqueceu o documento de identidade e não conseguiu entrar para fazer a prova.

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As colegas Keila Porto, de 18 anos, e Larissa Vitória, de 17, inscreveram-se no Enem para continuar o que veem como trajetória de carreira. As duas já trabalharam como jovem aprendiz na área de recursos humanos (RH) e devem usar o resultado da prova para se matricular em um curso superior na mesma área. O tema do segundo dia de provas não anima.

“Desapontada por ser Exatas, mas tudo bem”, diz Keila.

A estratégia dela é garantir pontos com as questões mais fáceis. “É fazer primeiro as questões que eu souber, depois voltar para terminar as mais difíceis.”

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A realização da prova em dois domingos, mudança implementada no ano passado, não agrada todos os candidatos. Se pudesse escolher, Gabriela Nascimento, de 17 anos, preferiria resolver todo o exame em um dia só.

“Fica muito cansativo: é muito texto no primeiro dia e muita conta no segundo”, diz Gabriela, que quer estudar Administração.

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Gabriela estudou menos para o Enem do que para o vestibular da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Ela está preparada”, diz o pai, que a acompanhou até a entrada.

Momentos após a abertura do portão, ao meio-dia, o estudante Cristian Melo Nobre, de 20 anos, comia um lanche antes da prova – que tem ao menos duas horas de duração. Aluno do curso de Sistemas de Informação já há dois anos, ele quer usar o Enem para se inscrever em um novo curso, de Ciências da Computação – e o tema de hoje, de Matemática e Ciências, é o que ele domina.

“Meu forte não é muito Literatura”, afirma Nobre. “Mas acredito que a minha redação foi boa. Foi um assunto que ninguém conhece, isso favoreceu.”

Nas escadarias em frente à entrada da unidade, uma candidata revisava conteúdos de Biologia, Química, Física e História anotados em um caderno. Andressa Mason Silveira, de 16 anos, não estudava para o Enem, mas para as provas que terá na escola nesta semana. Aluna do 2º ano do ensino médio no Colégio Dante Alighieri, ela faz o Enem pela primeira vez neste ano como treino e diz que não teve dificuldades com o conteúdo do exame do primeiro dia de prova. “Coincide com as coisas que estudo na escola”, diz.

Fortaleza

“A gente só cresce através dos estudos.” Esta é a frase que Jesus Rodrigues dos Santos, de 45 anos, pronuncia diariamente no ambiente de trabalho. O profissional em serviços gerais terminou o ensino médio há 21 anos e, agora, quer iniciar uma nova carreira. Seja ela na matemática, na fisioterapia e até mesmo na gestão hospitalar. O primeiro passo é enfrentar o Enem.

“Eu não tive incentivo de ninguém, não. O dia a dia do meu trabalho foi que me fez tentar novamente e mudar de vida”, afirma o candidato, que faz prova em Fortaleza.

Sem tempo por causa do trabalho, ele não se dedicou tanto aos estudos preparatórios para o exame.

“Eu nem me preparei muito, porque o meu trabalho não permite, fiquei sem tempo, mas isso não foi problema. Assisti a algumas aulas na internet e estou confiante”, assegura.

Quem também busca uma nova chance é Maria Lucimar Castro, de 46 anos. Há quatro, ela tenta iniciar o curso de Serviço Social. Já Illgner Matheus Castro, de 25, tenta a prova pela terceira vez. O sobrenome em comum dos dois não é coincidência. Eles são mãe e filho e, pela primeira vez, vão fazer uma prova juntos no mesmo local, em Fortaleza.

“No ano passado, fizemos prova longe um do outro e desta vez estamos aqui. É muito legal. Eu sempre dou aquela força. Primeiro, quero que ele consiga, depois eu dou o meu jeitinho”, diz a mãe.

Também em Fortaleza, a técnica em contabilidade Rejane Almeida, de 40 anos, o segundo dia de prova é a etapa mais fácil. Pela segunda vez, ela tenta ingressar no curso de Administração.

“A gente tem sempre que buscar crescer, né? Eu sou técnica, mas quero ser graduada. Deixei meu filho de 5 anos em casa, com o pai, e vim fazer a prova. Espero que desta vez dê certo.”

Para Abrahão Assunção, o segundo dia de provas também é a chance de aumentar a pontuação. O jovem de 18 anos fez o Enem pela primeira vez em 2017, para treinar, e conseguiu passar para os cursos de Ciências da Computação, na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UniLab), e Matemática, na Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Em 2018, Abrahão conseguiu novamente a pontuação suficiente para ser aprovado no curso de Matemática, mas desta vez na Universidade Federal do Ceará (UFC). Além disso, foi aprovado em Odontologia, na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), mas ficar longe da família não estava nos planos.

“Eu estou fazendo Matemática na UFC, mas o curso não é bem o que eu esperava. Então, estou fazendo o Enem de novo para passar em Odontologia, desta vez, na UFC.”