Brasília – O empresário Sebastião Augusto Buani, proprietário do restaurante Fiorella que funciona no 10.º andar do anexo 4 da Câmara, negou nesta segunda-feira que tenha pago propina ou tentado extorquir o presidente da Casa, Severino Cavalcanti (PP-PE). Buani, no entanto, recusou-se a comentar se Severino pediu propina para garantir a concessão do restaurante.

"Eu nunca paguei propina. Aliás, eu não tenho dinheiro para pagar as minhas contas, quanto mais propina", disse Buani a jornalistas, após depor à comissão de sindicância criada pela Câmara para investigar irregularidades no contrato de concessão do restaurante. "No momento próprio, vai ser apresentado [à Polícia Federal] o que eu tiver", acrescentou Buani. Segundo reportagem da revista Veja desta semana, Buani teria pago R$ 10 mil mensais para manter a concessão na Câmara, quando Severino era primeiro-secretário da Casa, responsável pelas questões administrativas.

Na sexta-feira, ao tomar conhecimento da reportagem, Severino negou o recebimento de propina e ainda acusou o empresário de tentar extorqui-lo. O deputado também pediu abertura de inquérito pela PF, o que aconteceu nesta segunda-feira. "Se o presidente falou isso, ele vai ter que provar, porque em nenhum momento na minha vida eu fiz isso", disse Buani, que negou também ter feito a denúncia à imprensa.

Parlamentares disseram à Reuters que sua estratégia é enfraquecer Severino e fazer com que ele renuncie à presidência. Dessa forma, nova eleição para o comando da Câmara seria convocada.

Para os oposicionistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perderia um importante aliado político caso Severino tenha de se afastar. O objetivo deles é emplacar um de seus nomes para o lugar ocupado atualmente por Severino.