Num pequeno bilhete, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), lançou ntem um pedido de socorro a integrantes da oposição e aumentou o tom dos ataques contra os que defendem a sua punição pela Casa. Pela manhã, enquanto comandava a sessão solene de comemoração dos 40 anos da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Renan rabiscou em um pedaço de papel um recado para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM): ?Precisamos resistir ao esquadrão da morte moral.? E pedia ajuda nesse processo.

Ao chegar ao Senado, Renan acusara diretamente o PSOL de ser o ?esquadrão da morte moral?, por tomar a iniciativa de lançar uma campanha popular batizada de ?Fora Renan?, propondo a sua cassação.

Depois de guardar o bilhete no bolso, Virgílio desconversou, mudou de assunto e, em seguida, escreveu um recado para Renan. Como comandaria a sessão solene no lugar do presidente do Senado perguntou num bilhete quais deputados fariam discursos – a sessão do Senado, excepcionalmente, foi aberta também para pronunciamentos de parlamentares da bancada da região Amazônica na Câmara.

Na verdade, Renan se preocupou em pedir ajuda ao tucano justamente pelo comportamento duro do PSDB no Conselho de Ética, que o investiga pela acusação de ter despesas pessoais pagas pelo lobista da empreiteira Mendes Júnior Cláudio Gontijo. Os tucanos cobraram a ampliação das investigações e deixaram claro que não pretendiam apoiar o pedido de arquivamento do processo no conselho. Por seus laços de amizade com Virgílio, Renan tenta reverter essa posição e trazer os senadores do PSDB para seu lado.