Em reunião com a coordenação política do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou ontem preocupação com possíveis excessos cometidos nas investigações da Polícia Federal e disse que a corporação precisa ter cuidado com vazamentos de conversas grampeadas para não expor suspeitos sem provas.

Lula reiterou que não acredita no envolvimento de seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, com a máfia dos caça-níqueis. Foi a primeira vez que o presidente fez um reparo à condução dos trabalhos da PF desde o início da Operação Xeque-Mate. ?A Polícia Federal tem de investigar o que tem de ser investigado, mas é preciso ter cuidado com os processos de investigação para evitar os excessos?, afirmou, de acordo com ministros que participaram da reunião, a portas fechadas, no Palácio do Planalto.

O governo está preparando um projeto que restringe o uso das escutas telefônicas nas investigações. Pela proposta que está em debate, a polícia só poderia utilizar grampos nas apurações com a autorização do Ministério Público.

Ao ouvir o relato do ministro da Justiça, Tarso Genro, sobre o andamento das investigações da PF, Lula afirmou que muitas vezes os vazamentos de escutas telefônicas expõem os investigados de forma irreparável. ?Depois, quando se vai ver, não é bem assim e a vida da pessoa já está arruinada, como ocorreu no caso da Escola Base?, argumentou.

Lula avalia que Vavá foi um inocente útil, como definiu o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda. Em conversas reservadas, porém, o presidente mostrou decepção com o comportamento de Dario Morelli Filho, seu compadre, que foi preso na Operação Xeque-Mate, acusado de ser sócio de uma casa ilegal de máquinas caça-níqueis.