Nos Estados Unidos, o presidente da seccional do Paraná da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), Luiz Fernando Casagrande Pereira, afirmou que o Brasil vive uma “crise de confiança” oriunda de uma “crise moral sem precedentes” no Supremo Tribunal Federal (STF) que, de acordo com ele, não será resolvida com a aprovação de um código de ética, proposta do atual presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

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“O Brasil não tem apenas um problema de Justiça. Tem uma crise de confiança. Os instrumentos da teoria jurídica não foram construídos para um sistema em que a mais alta Corte está ela própria no centro de uma crise moral sem precedentes. É onde estamos. E nenhum código vai resolver isso”, argumentou, durante sua participação no Brazil Legal Symposium, promovido pela Universidade de Harvard e iniciado nesta quinta-feira (09/04).

Tanto em nível nacional quanto por iniciativa das seccionais, a OAB tem ampliado suas críticas ao Supremo. Essas críticas se combinam com a tentativa de espaço na discussão sobre o código de ética, mas também focam em um inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes que já dura sete anos e não demonstra sinais de término: o chamado “inquérito das fake news”.

A menção ao teor moral da crise evoca as descobertas das relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Toffoli foi o primeiro relator da investigação sobre créditos fraudulentos. Após o desbloqueio do celular do banqueiro, porém, a Polícia Federal (PF) decidiu recorrer a Fachin, pedindo o afastamento do relator.

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Após uma reunião, o Supremo emitiu uma nota em que, logo no título, ressaltava que o posicionamento dos dez ministros era consensual. Eles reafirmaram apoio a Toffoli, mas alegaram que o próprio ministro decidiu sair do caso. O novo sorteio levou as investigações ao gabinete do ministro André Mendonça.