Na hora do aperto, muita gente tentou recorrer à tecnologia de aplicativos como Waze e Google Maps para encontrar um caminho viável em São Paulo. Mas não deu muito certo: pelas redes sociais, usuários reclamaram que os aplicativos indicavam ruas alagadas como rotas livres. Durante boa parte do dia de ontem, pontes das Marginais apareciam nos apps como se estivessem liberadas – e não interditadas.

Procuradas, as duas empresas minimizaram as falhas, buscando explicar como funcionam seus sistemas. Parte do problema, dizem as companhias, se deve à maneira como os aplicativos fazem a captação de dados sobre o trânsito. Tanto Waze quanto Google Maps (ambos são do Google) coletam informações a partir dos celulares dos usuários para determinar se uma via está livre – e num dia de crise como o de ontem, é provável que muita gente tenha se irritado com os aplicativos e decidido não responder com informações do que ocorria à sua frente.

“Num dia normal, se há muitos celulares no mesmo local, entendemos que há trânsito de acordo com a velocidade deles. Se houver algum problema, o usuário pode reportar o incidente”, explica André Kowaltowski, gerente de produto do Google Maps para a América Latina. Um sistema similar é usado pelo Waze.
Além de receber informações fornecidas ativamente pelos usuários, o Google Maps também faz uma detecção automática de ruas interditadas. Isto é: com o tempo, o app aprende que milhares de carros passam todos os minutos nas marginais Tietê e Pinheiros. “Se nenhum carro passa, deve haver algum problema”, diz o executivo do Google. No entanto, o sistema também tem irregularidades de acordo com o tamanho e a utilização das vias. “Numa rua menor, demora mais tempo para detectar problemas. Além disso, só indicamos interdição quando temos certeza. Nenhum sistema de mapas é perfeito.”

Segundo apurou o Estado, o Waze não dispõe de um sistema de inteligência artificial semelhante, confiando apenas nas informações enviadas pelos usuários. “Somos uma ferramenta colaborativa que se baseia nos alertas dos usuários para estabelecer quais pontos da rota das pessoas estão afetados por incidentes”, disse a empresa, por meio de nota.

Questionados pela reportagem, os dois aplicativos alegam ainda que utilizam dados das agências de transporte locais integrados a seus sistemas. “Em dias como ontem, a tendência é que as agências criem forças-tarefa, mas isso foge ao nosso escopo”, diz o Google Maps. Já o Waze, em nota, informou que troca informações com os órgãos públicos de forma anônima – isto é, sem revelar a identidade dos usuários. Segundo a empresa, o app israelense é parceiro da cidade de São Paulo desde 2017. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.