A edição deste mês de um informativo da Polícia Militar de São Paulo, distribuído aos batalhões da corporação, pede para os policiais não reagirem “a assaltos ou em casos de ações contra terceiros” quando estiverem de folga. 

O boletim “Patrulheiro”, de autoria do comando da PM, diz ainda que o “policial é um alvo em potencial” e pede aos soldados que adotem “condutas de segurança”. “Acredite que você é um alvo em potencial, mesmo de folga”, diz o texto do informativo.

Em outro trecho, o boletim pede aos policiais que sofrerem eventuais ameaças que avisem imediatamente o comando do batalhão, o P2 (serviço reservado da PM) ou a corregedoria. “O comando da PM está atento e pode adotar providências”, alerta uma das frases.

Em outras edições do boletim, o comando da PM já alertava a corporação para a onda de violência contra a polícia.

Na edição de setembro, o informativo trazia o número de policiais mortos no ano – 71 (3 em serviço, 54 de folga e 14 inativos) e avisava da “real consciência sobre a situação de risco em suas horas de folga”, especialmente nos horários de bicos.

Já a edição de junho, o comando da PM pedia para a corporação ficar a atenta e também relatava o número de policiais mortos – 41 – até aquela data.
Procurada para comentar o conteúdo do informativo, a assessoria da PM não havia respondido até a publicação da reportagem.

Mortes

Neste ano, ao menos 66 PMs da ativa e 17 da reserva foram mortos no Estado.
Na última sexta-feira, a Folha de S.Paulo revelou que documentos da facção criminosa que estão em poder da polícia e do Ministério Público mostram que os chefes do PCC ordenaram os ataques aos policiais.