O traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, negou ter participado da execução do repórter Tim Lopes, da Rede Globo, em depoimento ao juiz Alexandre Abrahão, do 1º Tribunal do Júri, no Fórum do Rio. Sem camisa e descalço, afirmou que no dia da morte do jornalista estava fora do Estado, mas não revelou onde – disse apenas que havia viajado de carro.

Após duas horas, o traficante foi levado para o Instituto Médico Legal, onde fez exame de corpo de delito, e depois para o Batalhão de Choque da Polícia Militar, onde está preso o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Elias Maluco, que chegou ao Fórum às 14 horas, declarou não integrar nenhuma quadrilha. Disse que não conhecia Tim Lopes nem os criminosos André da Cruz Barbosa, o André Capeta, Maurício de Lima Matias, o Boizinho, e Renato Souza de Paulo, o Ratinho, alguns dos apontados pela polícia como seus comparsas no assassinato. Admitiu, entretanto, ter sido condenado a três anos de prisão por tráfico de drogas.  

O traficante afirmou que mora em Vigário Geral e não freqüenta bailes funk, motivo da ida do jornalista da Globo à favela da Vila Cruzeiro, onde foi morto. Ele disse que hoje pela manhã, ao ser preso, estava no Morro do Alemão para visitar sua namorada, cujo nome não quis revelar. Também afirmou ser pintor de automóveis, desempregado há sete meses.

Elias Maluco culpou a imprensa por ter seu nome envolvido no caso Tim Lopes. Ele disse ao juiz que não se apresentou antes ?porque não ia adiantar nada. A imprensa me rotulou como responsável pela tragédia?. No entanto, contou que não tem inimigos nos meios de comunicação. Negou o apelido de Maluco, dizendo que todos o conhecem apenas como Elias.

Durante todo o depoimento, o criminoso preferiu responder apenas ?sim? e ?não? às perguntas do juiz . Em alguns momentos ele pedia que as indagações fossem feitas ao próprio advogado, Paulo Cuzzuol.  

Depois de prestar depoimento sobre a morte de Tim Lopes, Elias Maluco continuou no Tribunal do Júri, onde depôs em outros dois processos, abertos no ano passado, . No primeiro, ele responde por tentativa de homicídio a cinco policiais – quatro civis e um militar – e no segundo por associação para o tráfico. As audiências aconteceram a portas fechadas e duraram uma hora. A assessoria do Tribunal de Justiça informou que Elias Maluco também negou qualquer envolvimento nos casos.

O comando da PM não sabe ainda em que cela ficará Elias Maluco. Por falta de espaço, há a possibilidade de ele ficar junto com o traficante Marcos Tavares, o Marquinhos Niterói, mas não com Beira-Mar. No entanto, a polícia garante que o local vai ser der ?extrema segurança? e que Elias Maluco será constantemente monitorado. Hoje Elias foi levado para uma cela de nove metros quadrados, monitorada por câmeras, onde ficou sozinho.