São Paulo – A entrada de José Serra (PSDB) na disputa pela prefeitura de São Paulo mudou o ambiente político entre tucanos e o PT, marcado por uma oposição protocolar, com uma crítica mais acirrada, aqui e acolá. A disputa pela principal cidade do País, em mãos da prefeita Marta Suplicy (PT), está sendo encarada como o terceiro turno das eleições presidenciais de 2002 ou um ensaio geral para as eleições presidenciais de 2006.

A cúpula do PT convocou ontem o marqueteiro Duda Mendonça para desenhar a estratégia que o partido pretende adotar diante da sua primeira grande prova de fogo, desde que chegou à Presidência da República. Antes da mensagem do publicitário, a portas fechadas, o presidente do PT, José Genoino, disse que o partido não teme o terceiro turno com o PSDB, no embate com José Serra para a Prefeitura de São Paulo. “Cada campanha vai ter o seu discurso, o seu programa, a sua tática, os tucanos estão muito nervosos, muito agressivos, muito sectários e isso não é bom para a disputa política.” Mas garantiu: “O PT não fugirá de nenhuma questão polêmica, nada ficará sem resposta.”

Sem citar o nome de Serra, o presidente do PT fez uma provocação ao PSDB: “Eles estão muito raivosos, não sei por que, eles governaram o Brasil durante oito anos.” Genoino disse que o partido “vai fazer um jogo de acordo com as conveniências e as prioridades do PT, não vai entrar no jogo que os adversários querem”. Ele não quis, no entanto, falar sobre os urubus do PT, que a prefeita Marta Suplicy condenou. “Isso aí é uma metáfora que a Marta faz.”

Mas a cúpula do PSDB deseja percorrer uma tática muito semelhante à desenvolvida pelo PT em 2000, quando Marta foi eleita e com isso pavimentou a campanha de Lula em direção ao Palácio do Planalto. Para os tucanos, uma vitória em São Paulo pode ser o começo da caminhada de volta ao poder federal, em Brasília, onde o partido esteve oito anos capitaneado por Fernando Henrique Cardoso.