Rio – O publicitário Duda Mendonça, responsável pelo marketing do governo federal, e outras cinco pessoas que foram detidas pela Polícia Federal, anteontem à noite, por participarem de uma rinha de galo no Clube Privê Cinco Estrelas, no Rio, foram indiciadas por formação de quadrilha, apologia ao crime e maus tratos a animais. Uma decisão judicial permitiu a liberação de todos, com o pagamento de fiança de R$ 1.000, cada um.

Os crimes de maus tratos e de apologia ao crime (propaganda de campeonatos de brigas de galo) são afiançáveis. Já no caso da formação de quadrilha (pelo fato de os seis indiciados organizarem as rinhas, segundo a PF) só cabe fiança se o juiz assim o considerar. Foi o que aconteceu: o juiz substituto da 26.ª Vara Criminal, Sérgio Luiz Ribeiro de Souza, que concedeu liberdade provisória aos indiciados, entendeu que não havia motivo para que eles ficassem presos preventivamente. Na avaliação do juiz, “a soma das penas mínimas das infrações não ultrapassa dois anos, sendo cabível, assim, a fiança”.

Cerca de 200 pessoas que estavam no clube tiveram os nomes listados e serão chamadas a depor na PF sobre sua relação com o estabelecimento. Onze delas, sendo quatro menores, chegaram a ser levadas para a PF, mas foram liberadas. Só Duda e os outros sócios tiveram de passar a noite na superintendência, numa sala onde havia camas.

Somando-se as penas pelos três crimes, Duda e as outras cinco pessoas, que são sócios e organizadores do clube – Jorge Luiz Hauat, o Jorge Babu, vereador no Rio; José Daniel Tosi, industrial de São Paulo, Eduardo José Buregio, advogado do Rio, Alberto Juramar Lemos Andrade, engenheiro da Bahia, e Ademir Alamino Lacalle, fiscal de renda aposentado de São Paulo -poderão pegar, no máximo, até 7 anos e meio de prisão.

Segundo os delegados Antônio Carlos Cardoso Rayol e Lorenzo Pompílio da Hora, da Polícia Federal (PF), Duda Mendonça apresentou-se como “assessor do presidente”. Rayol não entendeu, imediatamente, de quem se tratava. “Pensei que fosse presidente do clube de rinha”, disse. Duda Mendonça pediu, então, permissão para ligar do telefone celular para o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para “desfazer o mal-entendido”, mas ouviu do delegado uma resposta firme: “Você pode ligar para quem quiser, mas não há mal-entendido. Rinha de galo é crime”.

A prefeita Marta Suplicy afastou o publicitário do comando de sua campanha pela reeleição, em São Paulo.