Um confronto entre caras-pintadas e a juventude collorida no maior centro educacional de Maceió, o Cepa, onde estudam cerca de 20 mil alunos de primeiro e segundo graus, terminou com 12 prisões.

A briga começou quando os militantes da juventude collorida distribuíam um jornal igual ao dos caras-pintadas com a propaganda ?Fora Ronaldo Lessa?, candidato do PSB e principal adversário de Fernando Collor ao Governo do Estado.

O jornal é uma cópia idêntica do informativo do movimento cara-pintada intitulado ?O Exemplo?, que faz críticas às administrações de Fernando Collor. Um dos coordenadores do movimento dos caras-pintadas, Marcos Calheiros, disse que foi informado pelos estudantes de que a junventude collorida tinha feito um jornal para desmoralizar os caras-pintadas.

– Pegamos no flagrante, não teve outro jeito – disse.

O subtentente Claudionor Antônio da Silva, responsável pela segurança do Cepa, disse que foi apreendida uma kombi e detidos assessores do ex-presidente Collor que negaram estar financiando a juventude collorida. Segundo eles, os estudantes que provocaram o tumulto são dissidentes do movimento estudantil que apóia o ex-presidente. Já o assessor de imprensa de Collor, o jornalista Célio Gomes, afirmou:
– Fomos ao Cepa porque soubemos que o nosso pessoal estava apanhando dos caras-pintadas. Nós estamos com o nosso pessoal lá fazendo campanha a favor de Collor e do filho dele, Arnon. Não temos nada a ver com esse episódio.
No momento, os 12 estudantes estão detidos na Central Integrada de Atendimento Policial ao Cidadão (CIAPC) e o representante dos caras-pintadas, David Clinger, exige que o pessoal do Collor seja notificado e preso.

– Nós já fizemos o flagrante, agora a polícia tem que fazer a outra parte. Somos uma entidade legalmente estabelecida e não vamos admitir que o pessoal de Collor nos use com material falso. Vamos até as últimas conseqüências contra Collor – afirmou.