Foto: Clayton de Souza/Agência Estado
Edemar Cid Ferreira está detido na Polícia Federal, em São Paulo.

O banqueiro Edemar Cid Ferreira, ex-controlador do Banco Santos, foi preso ontem pela Polícia Federal (PF). Ele estava em sua mansão, no bairro Morumbi, na capital paulista, e foi encaminhado à Superintendência da PF em São Paulo. A prisão preventiva foi determinada pelo juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6.ª Vara Criminal, especializada em lavagem de dinheiro, a pedido do Ministério Público Federal.

Segundo a decisão de Sanctis, o banqueiro ameaça a ordem pública porque não revelou à Justiça que possuía algumas obras de arte. Pelo menos dez obras não tiveram o paradeiro identificado. O Banco Santos sofreu intervenção do Banco Central (BC) em maio de 2004. A falência foi decretada em setembro de 2005 porque os ativos da instituição não cobriam 50% das dívidas. Pela Lei 6.024, o BC, nesses casos, tem de fazer a liquidação.

No início da intervenção, o BC estimava que o passivo a descoberto fosse de R$ 703 milhões. Outro motivo que levou à liquidação foi o insucesso das negociações entre os credores do banco para viabilizar a sua reabertura. O banqueiro e outros 18 ex-diretores do banco respondem a processo por crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. Boa parte das obras de arte da coleção de Edemar foi tomada pela Justiça, em 2005, e encaminhada a museus do País.

Na ordem de prisão, o juiz argumenta que o banqueiro também atrapalhava a instrução processual. ?A garantia da ordem pública não há de ser entendida tão somente como forma de evitar a perpetração de outros delitos, mas de resguardar a credibilidade e respeitabilidade das instituições públicas, que se vêem seriamente ameaçadas pela atuação do acusado?, diz Sanctis, na decisão.

O juiz defendeu a prisão enumerando oito motivos. No decreto da prisão, consta que uma das testemunhas da defesa de Edemar disse durante interrogatório, ter visto sete das obras desaparecidas em sua residência, antes da apreensão de bens. Entre elas está Woman, de Henry Moore, pela qual o banqueiro afirmou, de acordo com a Justiça, ter pago US$ 300 mil. Edemar disse ao juiz que o motivo do desaparecimento das obras foi a freqüência de pessoas nos acervos, desde a apreensão, e no processo de destinação aos museus.

A Justiça pediu, após cruzar os livros da coleção do banqueiro – obras que estavam em sua casa, na sede do banco e em depósitos – que ele providenciasse a lista das obras e a sua localização. Mas o banqueiro se negou a fazê-lo, ?para não se auto-incriminar?, diz nota do MPF.

Depois de preso, Edemar foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito e, em seguida, à carceragem da Polícia Federal, em uma cela individual, de quatro metros.

Banqueiro ficará em prisão estadual

São Paulo (AE) – O superintendente regional da Polícia Federal de São Paulo, Geraldo José de Araújo, disse no início da tarde de ontem que pedirá na segunda-feira a transferência do banqueiro Edemar Cid Ferreira, ex-controlador do Banco Santos que está sob intervenção do Banco Central (BC), da carceragem da Polícia Federal em São Paulo para uma unidade prisional do Estado. O banqueiro foi preso na manhã de ontem por quatro agentes da Polícia Federal na sua mansão no Morumbi. A prisão preventiva foi decretada pelo juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal em São Paulo, a pedido do Ministério Público Federal.

O superintendente não soube informar as razões exatas da prisão do banqueiro. Entretanto, reconheceu que a motivação pode estar relacionada à ocultação de patrimônio. O processo de Edemar Cid Ferreira corre em segredo de Justiça.

O Ministério Público Federal (MPF) adiantou que o juiz pode ter se baseado em novas informações (ainda não divulgados) surgidas no processo que Edemar e mais 18 diretores do banco, inclusive o filho dele, respondem. Trata-se de um processo por crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro por organização criminosa e gestão fraudulenta de instituição financeira. Para decretar a prisão preventiva, de acordo com o MPF, o juiz utilizou os artigos 311 e 312 do Código de Processo Penal.

Defesa acusa juiz de parcial e vai pedir habeas corpus

São Paulo (AE) – A advogado Arnaldo Malheiros Filho anunciou que entrará com pedido de habeas corpus em favor de seu cliente, o empresário Edemar Cid Ferreira, cuja prisão preventiva foi decretada ontem, pela 6.ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo.

Para a defesa, a afirmação do juiz – de que, em liberdade, Edemar ameaça a ordem pública – não se sustenta. ?Meu cliente foi preso em sua casa, onde sempre esteve à disposição da Justiça?, afirma o advogado Malheiros Filho, lembrando que Edemar jamais praticou qualquer ato que perturbasse o andamento das investigações ou do processo.

Além do pedido de habeas corpus, a defesa do empresário aguarda julgamento de uma argüição de suspeita contra o juiz Fausto de Sanctis, cuja atuação, no caso, é apontada como parcial.

Com empresas em seu nome, mulher também será processada

São Paulo (AE) – A Justiça Federal acatou, na semana passada, denúncia do Ministério Público Federal que acusa Márcia Cid Ferreira, a mulher do banqueiro Edemar Cid Ferreira, ex-controlador do Banco Santos que está sob intervenção do Banco Central, de lavagem de dinheiro. Agora, ela responde a um processo à parte, o qual será encaminhado à 6.ª Vara Criminal Federal em São Paulo. O interrogatório de Márcia Cid Ferreira está marcado para terça-feira da próxima semana. A mulher do banqueiro aparece como a principal executiva na maioria das empresas de Edemar, que foi preso na manhã de ontem por quatro agentes da Polícia Federal na sua mansão no Morumbi. A prisão preventiva foi decretada pelo juiz Fausto De Sanctis, também da 6.ª Vara Criminal Federal em São Paulo, a pedido do Ministério Público Federal.