O dólar continuou hoje (11) em sua trajetória de queda, fechando em baixa de 0,99%, cotado a R$ 3 515, o nível mais baixo desde 20 de setembro. Foi o terceiro recuo seguido da moeda, que chegou a ser negociada a R$ 3,475 no melhor momento do dia, quando havia a expectativa de que o Banco Central (BC) conseguiria vender todos os 13.800 contratos cambiais oferecidos para rolar mais uma parcela do lote de US$ 1,9 bilhão de papéis atrelados ao câmbio que vencem na quinta-feira.
À tarde, no entanto, o dólar desacelerou a queda, depois que a instituição informou que vendeu apenas 43,3% dos US$ 600 milhões ofertados. O mau desempenho das bolsas americanas e a alta dos preços do petróleo também contribuíram para que o dólar fechasse acima de R$ 3,50.
A moeda abriu em queda, com o mercado animado com a perspectiva em relação ao leilão de contratos cambiais, num movimento também estimulado pela venda de moeda por exportadores. Segundo o diretor de Tesouraria do Banco Santos, Clive Botelho, o humor do mercado continua positivo, pois há uma expectativa favorável em relação ao governo do PT. A questão é que, nesta semana, o vencimento na quinta-feira de US$ 1,9 bilhão de papéis cambiais tende a dominar o movimento do câmbio. O BC não conseguiu vender todos os 13.800 contratos ofertados hoje porque não houve demanda suficiente para todos os lotes. Apenas no caso do lote com vencimento em 1.º de abril de 2003 a procura superou a oferta; nos outros três lotes – que vencem em 3 de fevereiro, 16 de julho e 15 de outubro do ano que vem – a demanda foi insuficiente. O BC pagou taxas entre 29,69% e 32,25% ao ano, além da variação cambial.
Segundo o diretor de um banco estrangeiro, o resultado do leilão mostrou que o mercado quer papéis mais curtos ou que tenham data de vencimento coincidente com os dos contratos de cupom cambial (o juro em dólar) mais negociados, como os de 1.º de janeiro e 1.º de abril de 2003. É justamente para tentar adequar a oferta à demanda, o BC ofertará hoje mais 14 mil contratos cambiais com vencimentos em 1. de janeiro, 3 de fevereiro e 1.º de abril. Até hoje, o BC rolou 48,95% do US$ 1,9 bilhão de papéis que vencem na quinta-feira.
Quanto mais papéis o BC rolar, menor deverá ser a pressão sobre o câmbio quarta-feira, quando será formada a cotação média (ptax) que vai corrigir os títulos que vencem na quinta-feira. Botelho diz que, se o BC não for muito bem-sucedido na rolagem, é possível que o câmbio fique de fato um pouco pressionado, mas não acredita que o nervosismo ocorrido em setembro e outubro – que levou o dólar a R$ 4 – volte a se repetir.
O diretor do Banco Fator Sérgio Machado afirma que o mercado está de bom humor e a tendência do dólar é de baixa. Mas para ele, o nível de R$ 3,50 é difícil de ser rompido. Operadores ressaltaram ainda o baixo volume negociado no câmbio, de apenas US$ 460 milhões – giros entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,5 bilhão são considerados expressivos.
Nos EUA, hoje foi o Dia do Veterano e apenas as bolsas operaram – o mercado de títulos do Tesouro e o de papéis da dívida externa não funcionaram. As incertezas quanto ao crescimento da economia americana e o temor de um ataque ao Iraque levaram o Dow Jones a recuar 2,09% e o Nasdaq, 2,95%. Os contratos de petróleo para janeiro subiram 0 62%. Esse cenário externo negativo também contribuiu para o repique do dólar no fim do dia.