O diretor-executivo do Democratas, Saulo Queiroz, protocolou ontem (1.º) o pedido do líder na Câmara, deputado Onyx Lorenzoni (RS) para que seja expulso do partido o senador Lobão Filho (DEM-MA), empossado na última quarta-feira na vaga aberta com a nomeação de seu pai e titular do mandato, Edison Lobão (PMDB) para o Ministério de Minas e Energia. Saulo disse esperar que o "bom senso prevaleça" e que Lobão peça desligamento antes da reunião da Executiva que examinará o pedido, prevista para o dia 12. "É evidente que o partido queria resolver esse assunto de maneira elegante, bastaria ele (Lobão) ter feito uma carta no dia em que tomou posse", alegou. O diretor lembrou que a principal oposição ao novo senador se deve à sua condição de filho e suplente de um ministro do governo Lula. "Ele poderia até ser irmão siamês do papa Bento XVI, mas como o DEM se consolida como partido de oposição, é constrangedor manter quem sabemos que vai votar com o governo", alegou.
Lobão não foi encontrado. Sua assessoria disse que ele já havia manifestado "desconforto com sua situação" e que entende estar o partido agindo sob presunção ao prevê como seria o seu voto. O assessor citou o exemplo da deputada Nice Lobão (MA), mãe do senador e mulher do ministro Lobão que, segundo ele, "vota com o DEM". No pedido de expulsão, o líder Lorenzoni alega que "não há condições de trabalhar no partido com um senador tão ligado ao governo que o partido combate". O líder se refere também às "denúncias que pesam contra o parlamentar". Ele é suspeito de ser sócio oculto de uma empresa, transferida para a empregada doméstica de seu ex-sócio. Outra acusação é de que estaria envolvido num esquema de fraude na Companhia de Processamento de Dados do Maranhão (Prodamar), que apagou 3 mil notas fiscais de 205 empresas, causando prejuízo ao Estado de R$ 60 milhões, entre 1993 e 1999.