Ministro quer mostrar a Lula que faz
o serviço melhor que Aldo Rebelo.

Brasília – Para continuar na sua estratégia de recuperar poder político, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, deve ajudar o presidente do Senado, José Sarney, a aprovar a medida provisória que eleva o salário mínimo de R$ 240 para R$ 260. A votação deve ocorrer nesta quarta-feira.

A idéia de Dirceu é calibrar sua atuação para que a MP seja aprovada, mas que também fique claro que a atuação de Sarney foi decisiva. Sarney, de sua parte, devolveria a gentileza e atribuiria ao chefe da Casa Civil parte dos louros de eventual vitória. O objetivo de Dirceu é demonstrar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a atuação do ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, é ineficaz para garantir o governo em votações polêmicas no Congresso, especialmente no Senado.

A indisposição entre Dirceu e Aldo aumentou nas últimas semanas. Aldo foi nomeado para o cargo por Lula em 23 de janeiro, com a anuência de Dirceu. No início, imaginava-se no Planalto que o novo ministro funcionaria como linha auxiliar da Casa Civil. Depois do caso Waldomiro Diniz, em 13 de fevereiro, o chefe da Casa Civil viu seu poder definhar. Não libera mais verbas de emendas ao Orçamento para congressistas nem pode operar indicações para cargos federais. Hoje, todas essas atribuições são de Aldo.

Nos últimos dias, formou-se dentro de parte da cúpula do PT a idéia de que seria necessário devolver a Dirceu os poderes da articulação política do governo. Pressionado, Lula chegou a cogitar uma mudança: Aldo iria para o Ministério da Defesa, devolvendo a Dirceu os poderes da articulação. Anteontem, uma grande operação foi montada para demonstrar que nada será alterado nos ministérios.

O fortalecimento de Sarney durante a votação da MP do salário mínimo não está garantido. Dirceu e o presidente do Senado tentam agora cobrar apoio de aliados do primeiro ano de mandato de Lula, quando reinavam sem a concorrência de Aldo Rebelo. Ocorre que alguns desses aliados, como o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), continuam firmes na posição de votar a favor de um salário mínimo maior do que R$ 260.

ACM tem pelo menos três votos no Senado: o seu e o dos outros dois senadores pela Bahia, César Borges e Rodolpho Tourinho. Até o momento, ACM deixa claro que prefere um desfecho favorável a Dirceu na disputa palaciana. O grande problema de Dirceu e de Sarney, agora que entraram para valer na operação para aprovar o salário mínimo no Senado, é deixar claro que foram decisivos na obtenção de votos a favor do governo.