Waldomiro (dir.) chega à PF acompanhado
do advogado Luís Guilherme M. Vieira.

Brasília – Das 50 perguntas feitas pelo delegado César Nunes, o ex-assessor do Palácio do Planalto Waldomiro Diniz só respondeu a uma delas em seu depoimento nesta terça-feira na Superintendência da Polícia Federal. Antes de responder à pergunta sobre sua profissão, Waldomiro riu e respondeu que era funcionário público.

O delegado alertou Waldomiro de que a negativa soaria como admissão de culpa, mas ele não mudou de idéia e disse que só responderia na Justiça. O primeiro depoimento transcorreu em ambiente cordial e Waldomiro estava descontraído. Em nenhum momento foi citado o nome do ministro da Casa Civil, José Dirceu.

Os procuradores da República Marcelo Serrazul e Raquel Branquinho foram convidados para acompanhar os interrogatórios, mas enviaram fax informando que tinham outros compromissos e não poderiam participar. Eles encaminharam à Polícia Federal 15 perguntas, que chegaram a ser feitas, mas Waldomiro também não as respondeu. Entre as perguntas feitas ao ex-assessor, a PF quis saber se ele se reuniu com representantes da multinacional Getch no Hotel Blue Tree Park e se ele conhecia os envolvidos nas denúncias.

Assim que chegou à Superintendência da PF, de táxi, Waldomiro recebeu duas intimações, a primeira da Advocacia-Geral da União para comparecer no dia 12 de março à comissão de sindicância instalada no Palácio do Planalto. A segunda foi entregue pela PF para ele comparecer no dia 16 de março para prestar depoimento num inquérito que apura crime contra sua honra por uma reportagem publicada pela revista Istoé no ano passado. O segundo depoimento será prestado ao delegado Alfredo Junqueira.

Waldomiro ainda não foi indicado no inquérito aberto pela Polícia Federal, que espera reunir novos elementos sobre o caso. O segundo depoimento de Waldomiro terminou pouco depois das 19h e ele ficou mais de 30 minutos tentando sair do local mas não conseguia por causa do batalhão de repórteres que se formou em torno do prédio da Polícia Federal. Na porta da PF, Waldomiro disse que era o maior interessado em esclarecer a verdade.

“Neste momento eu sou o maior interessado em buscar a verdade e provar a minha inocência. Estou confiante na Justiça brasileira. As investigações estão sendo desenvolvidas pelo Ministério Público, pela Polícia Federal, pela Justiça, pela Receita. Muito obrigado a todos e uma boa noite”, disse. Um dos advogados de Waldomiro negou que ele vá prestar novo depoimento nesta quarta-feira no Ministério Público Federal.

Senador agita com denúncia vazia

Brasília – O senador Almeida Lima (PDT-SE) fez um grande estardalhaço ontem em Brasília ao prometer novas denúncias sobre o caso Waldomiro Diniz com novas supostas ligações do acusado com o ministro José Dirceu. Mas ele se limitou a ler na tribuna do Senado um relatório da Polícia Federal sobre o envolvimento de Waldomiro Diniz, ex-assessor do Palácio do Planalto, com a máfia dos jogos e em esquema de desvio de verbas de publicidade da Loterj, órgão que Waldomiro presidiu de junho de 2001 a abril de 2002. O documento foi feito por um delegado da Polícia Federal em julho de 2003.

Segundo duas notas da imprensa divulgadas na internet e anexadas pelo delegado ao relatório, o ministro Dirceu, ao tomar conhecimento das denúncias contra seu assessor, teria entrado em contato com o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, para dar início a uma “operação abafa”. O objetivo seria evitar que se desse prosseguimento às investigações. Almeida Lima baseou suas denúncias nessas notas e não apresentou os dados que comprovariam o envolvimento de Dirceu nas denúncias contra Waldomiro, como anunciou.

A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), reagiu duramente ao discurso do pedetista alegando que mais uma vez “a montanha não pariu nem um rato” e que Almeida Lima não apresentou nenhum fato contra o ministro. O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), também reagiu ao discurso do pedetista dizendo que ele foi irresponsável e pedindo que fatos como esses não acontecessem mais. Almeida Lima respondeu dizendo que ratos são os que tentam abafar denúncias sérias contra um ministro e um seu ex-assessor.

Até o ex-presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), defendeu o ministro da Casa Civil, José Dirceu, ao acusar o discurso do senador Almeida Lima (PDT-SE) de “leviano”. ACM afirmou que a defesa da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso Waldomiro tem sido “um festival de incoerências, que infelizmente é comum na vida política do País”.

“Depois de tudo o que o senador Almeida Lima fez, ele foi o primeiro a defender o ministro José Dirceu, porque trouxe fatos inverídicos, não comprovados, numa denúncia sem expressão”, disse ACM.

CPI do bingo vai para o limbo

Brasília – A líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC), disse ontem que o PMDB, o PTB e o PSB concordam com a proposta do PT de manter o requerimento da CPI dos bingos, feito pelo senador Magno Malta (PL-ES), “em suspenso” até a apreciação pelo Congresso da medida provisória que proibiu os bingos e caça-níqueis no País. Ideli esteve reunida ontem com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).

Segundo ela, líderes dos partidos da base deveriam conversar com Magno Malta ainda ontem à tarde para tentar fazê-lo desistir de apresentar o requerimento, mas se ele insistir, os petistas que já assinaram o requerimento se comprometeram, em reunião anteontem à noite na casa do senador Tião Viana (PT-AC), a retirar seu apoio. Ideli considera a proposta extremamente compreensível porque os senadores assinaram o requerimento antes da edição da MP dos bingos.

O PSDB, entretanto, começa veicular nesta quinta-feira à noite, em cadeia nacional, suas novas peças publicitárias. Ao todo serão cinco filmes e um dos temas centrais será o questionamento ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.