Rio – Apesar dos avanços conquistados nos últimos anos, o Brasil continua sendo o campeão das desigualdades sociais e econômicas na América Latina e Caribe, segundo relatório do Banco Mundial (Bird) sobre a região, divulgado ontem no Rio de Janeiro. O estudo mostra, por exemplo, que os 10% brasileiros mais pobres recebem 0,9% da renda do País, enquanto os 10% mais ricos ficam com 47,2%.

O vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, David de Ferranti, disse estar confiante nas políticas do governo Lula para reduzir as diferenças sociais no País. Na avaliação de Ferranti, as desigualdades no Brasil têm origem complexa “e muita relação com a colonização européia”.

“Temos confiança nas políticas do governo Lula, que estão baseadas em dois pilares: um econômico e outro social. Acreditamos nas metas sociais, mas para alcançá-las é preciso o empenho de todos os setores da iniciativa privada, sociedade e governo”, destacou Ferranti, ao participar do seminário Desenvolvimento com Justiça Social, na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

Ainda segundo o relatório, nos últimos anos a desigualdade social e econômica na América Latina e Caribe piorou muito em relação às outras regiões do mundo. O Bird aponta o Uruguai como o país latino-americano com os menores índices de desigualdades. Assim mesmo, as diferenças são maiores do que nos países industrializados do Leste Europeu.

O secretário de Políticas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Lisboa, disse no Seminário sobre “Desenvolvimento com Justiça Social” que nos últimos 30 anos houve um aumento muito significativo das desigualdades sociais no Brasil. Segundo ele, a ação do Estado ainda é ineficiente e preserva essas desigualdades. Um dos fatores que agrava a situação é a estrutura fiscal no País, afirmou.

“A carga tributária no Brasil ainda é elevada pelo tamanho de sua renda e recai sobre quem ganha um pouco mais que o salário mínimo. A grande questão é como é possivel manter a arrecadação de tributos nesse patamar e não acabar com as desigualdades”, disse Marcos Lisboa. O secretário disse, ainda, que três quartos da receita primária do Estado são gastos em políticas públicas, mas ainda é preciso criar novo modelo de crescimento, buscando a justiça social.

continua após a publicidade

continua após a publicidade