Sem alvará de funcionamento.

São Paulo – Pelo menos seis pessoas morreram e 126 ficaram feridas com a queda do mezanino de uma casa de shows no número 429 da Avenida Paulo Faccini, no centro de Guarulhos, na Grande São Paulo. O acidente aconteceu pouco antes das 2h da manhã. A polícia estima que no momento do acidente havia aproximadamente 600 pessoas na casa, de acordo com a contagem de convites. O salão, onde já funcionou uma churrascaria, era alugado para eventos e não tinha Habite-se nem alvará de funcionamento. “Eu estava dançando na pista do andar de cima. Tinha muita gente pulando e o piso começou a balançar forte. De repente, ouvi um estalo, o chão do segundo andar partiu em dois e desabou em cima das pessoas no térreo”, contou o estudante Marcos de Freitas Lima, de 23 anos.

Lima e José Felix Júnior, 22, nada sofreram e conseguiram descer até o térreo pela escada. “Vimos pessoas embaixo do entulho. Algumas estavam mortas e a maioria pedia socorro.” O estudante Rodrigo Gonçalves dos Santos, 18, não teve tempo de sair da pista. “O chão começou a desmoronar e eu caí em cima de uma garota. Ela começou a chorar, mas parecia bem. Eu tirei ela e outras pessoas dali.”

Reforço

Equipes do Corpo de Bombeiros chegaram ao local por volta das 2h e logo tiveram de pedir reforços. Foram acionados 24 carros dos bombeiros com 64 homens, 20 policiais militares e 15 ambulâncias com 35 enfermeiros. Um posto de atendimento foi improvisado para atender as vítimas retiradas dos escombros.

Segundo o comandante do 5.º Grupamento dos Bombeiros de Guarulhos, Vanderlei de Mel-lo, o Corpo de Bombeiros resgatou 16 vítimas dos escombros. As demais foram retiradas por vizinhos e sobreviventes do acidente. Morreram Luana Cristina Peres, 23 anos Valmir Teles Silva de Araújo, 19; Natália Mendes Fortuna, 21; Carlos Ailton Belusci da Conceição, 24, e Daniele Rodrigues Pereira. Cíntya de Almeida Santos, 19 anos, morreu ao dar entrada no Hospital Padre Bento. Segundo o diretor dos hospitais municipais de Guarulhos, Marco Antônio Izzo, das 111 pessoas atendidas em hospitais, até as 18h30 de ontem, 14 pessoas continuavam internadas; três em estado grave.

Parentes contam o drama

São Paulo –

O prédio em que ocorreu o acidente era composto de duas casas interligadas. Na da esquerda, onde houve o acidente, funcionava o salão de eventos. Na da direita, fica o escritório político do vereador Sebastião Alemão (PSDB), presidente da Câmara Municipal e candidato à reeleição. A casa de shows havia sido alugada para evento só para mulheres, das 22h à meia-noite, com ingressos a R$ 10. “Era uma festa com homens fazendo strip-tease”, contou a estudante Simone Paula dos Santos, 22.

Um mezanino de concreto com estrutura metálica separava a pista de dança do andar térreo, onde se dançava ao som de axé, do segundo andar, onde tocava música eletrônica. Depois da meia-noite, a organização da festa abriu uma porta que ligava as duas construções e permitiu a entrada dos homens que estavam na casa vizinha. Pagaram R$ 15 para entrar. Duas horas depois, aconteceu o acidente.

Drama

Enquanto as equipes de resgate trabalhavam para a retirada das vítimas, do lado de fora do salão, começava o drama de quem aguardava por notícias de parentes. O casal Rosália Maria Martins, 56, e Sérgio Martins, 53, estava à procura de informações do sobrinho, Valmir. De manhã, receberam a notícia dos bombeiros: o corpo do rapaz foi encontrado sob os escombros. “Ele iria completar 20 anos na terça-feira e estava ansioso pelo casamento da prima. O pior é que eu terei que dar a notícia para a mãe dele”, contou Rosália.