Brasília – Nas duas semanas de trabalho da CPI Mista dos Correios, os dois se destacaram pela coerência e consistência nos argumentos. Em campos políticos opostos – um é petista e o outro tucano -, os deputados José Eduardo Cardoso (PT-SP) e Gustavo Fruet (PSDB-PR) têm em comum a formação (ambos advogados), eram vereadores e se elegeram deputados federais sem passar pelas Assembléias Legislativas, como a maioria dos colegas da Câmara.

Cardoso e Fruet também se destacam por não assumir, como outros integrantes da CPI Mista, discursos extremados e meramente políticos. Procuram usar os dez minutos permitidos pelo regimento para fazer perguntas ou cobrar qualidade e racionalidade dos trabalhos. Os dois iniciaram as tarefas desta CPI Mista, sem muito grito ou estardalhaço, com a experiência de quem sabe que o trabalho é a longo prazo e precisa se qualificar, com investigações dos fatos e não apenas a guerra político-partidária-eleitoral.

?Com Fruet, é embate jurídico. É deputado muito sério, equilibrado?, diz Cardoso.

?A intervenção de Cardoso é qualificada. Não se perde em defesas passionais e ajuda na investigação?, devolve Fruet.

Doutor em direito público, o relator do processo que cassou o parlamentar carioca André Luiz, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) se destaca nas duas frentes de investigação sobre o esquema de pagamento de mesadas a deputados aliados: a CPI Mista dos Correios e o Conselho de Ética. Desdobrar-se em dois tem custado ao deputado o trabalho de trocar de camisa, molhada de suor, no meio do dia.

Mesmo na oposição, ele defende uma condução mais técnica dos trabalhos. Criticou a demora de nove horas para quebrar o sigilo bancário do publicitário Marcos Valério:

?Neste ritmo, as investigações não se sustentam. Temos que qualificar as investigações, ser mais objetivos, passado esse momento inicial de guerrilha. Cada um tem seu papel, mas existe algo maior em jogo e quem quiser fazer disso um palanque, se arrebenta. É um processo longo, exige fôlego.?

No segundo mandato como deputado federal, Fruet tem no currículo a relatoria da CPI do Proer, o programa que reestruturou o sistema financeiro do País, bombardeado pelo PT. Para os tucanos, a isenção de Fruet, à época filiado ao PMDB, foi fundamental para evitar a politização da CPI. No ano passado, Fruet filiou-se ao PSDB e hoje é citado pelos tucanos como um grande quadro partidário.

O tema de sua tese de doutorado foi sobre a Operação Mãos Limpas, que livrou a Itália do domínio absoluto da Máfia. O tucano afirma estar assustado com a proporção adquirida pela crise política. Acredita que as instituições, assim como aconteceu na Itália, sairão fortalecidas da crise, mas diz que é preciso baixar o tom:

?É um momento muito tensionado. Existem certas regras não escritas no código de convivência do Parlamento que estão sendo quebradas. Não há para onde fugir. Teremos que passar por um processo de purificação.?

Aos 42 anos de idade, suspendeu os trabalhos como advogado e deixou de lado as peladas de futebol. Trocou por caminhadas nas quadras de Brasília. Namora a curitibana Márcia e o casal gosta do rock do grupo irlandês U2. Nas últimas semanas os dois mal têm se visto, e ele brinca: ?Ainda bem que a TV Senado transmite as sessões.?