Brasília – Roberto Jefferson voltou a dizer que recebeu R$ 4 milhões do PT, em julho do ano passado, a primeira parcela de um total de R$ 20 milhões. Mas só recebeu a primeira parte. A princípio, disse que tinha guardado o dinheiro num cofre e que não distribuíra nada para ninguém. Depois, afirmou que tinha distribuído o dinheiro e que jamais vai dizer para quem foi, ?para não prejudicar inocentes?.

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No seu depoimento, Jefferson voltou a dizer que recebiam dinheiro do esquema do ?mensalão? Valdemar da Costa Neto, o líder do PP, José Janene (PR), o ex-líder Pedro Henry (PP-MT) e o deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ). Afirmou que todos eles devem ter repassado para outros o dinheiro que pegaram. Procurou poupar o ex-líder do PT Paulo Rocha (PA), ao qual são atribuídas retiradas de quase R$ 1 milhão. ?O Paulo Rocha não está metido no ?mensalão?. Ele pegou dinheiro foi para pagar dívida de campanha.?

Defensor

No depoimento que prestou ontem (4) na CPI do Mensalão, o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) transformou-se num ferrenho defensor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – muito mais do que os petistas presentes à sessão – e procurou livrá-lo de qualquer envolvimento com o sistema de corrupção montado pelo PT. Mas sobrou para o ex-ministro Luiz Gushiken, hoje chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos. ?O José Dirceu é o chefe da quadrilha. O Gushiken, auxiliar?, disse Jefferson. ?Foi o Gushiken quem autorizou essa movimentação escandalosa das agências de publicidade de Marcos Valério?, disse Jefferson. ?O ?mensalão? não é ato isolado de José Dirceu. Ele não faria isso sozinho.?

Jefferson enfatizou que ?José Dirceu e Gushiken participaram do esquema. Mas era o Dirceu que era o chefe. As conversas todas eram com ele?. Ele afirmou ainda que Gushiken conseguiu a proeza de juntar, num mesmo ministério, publicidade com fundo de pensão. ?Deu no que deu.?

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Assim que soube das declarações de Jefferson, Gushiken divulgou nota oficial. Para ele, são falsas as insinuações e ilações feitas pelo deputado Roberto Jefferson na CPI do Mensalão. ?Considero inaceitáveis o teor leviano e o tom de calúnia dessas afirmações?, afirmou Gushiken.

?Roberto Jefferson fez declarações que atingem a minha reputação e minha conduta de homem público?, disse o ex-ministro. ?São falsas as insinuações e ilações a respeito do meu papel junto aos fundos de pensão, que obedecem a marcos regulatórios específicos e estão submetidos a amplo leque de instituições de fiscalização e controle.?

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Jefferson foi muito provocado, mas em nenhum momento fez qualquer insinuação a respeito da participação do presidente Lula nas irregularidades.