Após receber uma denúncia de alimentos vencidos em um mercado da rede Dia%, policiais da Delegacia do Meio Ambiente de São Bernardo do Campo e a Vigilância Sanitária encontraram na quarta-feira, 21, uma grande quantidade de comida estocada de maneira irregular em um depósito que funcionava como confeitaria na cidade do ABC paulista. No local, havia carnes estragadas com vermes visíveis, diversas baratas, fezes e urina de roedores, tudo misturado aos produtos. A instalação funcionava como um mercado e, depois de fechar, há quatro meses, passou a funcionar como ponto de distribuição de alimentos a outras 12 unidades da rede.

“Tudo o que estava lá foi condenado pelas precárias condições de higiene e nada podia ser usado, nem o que estava na validade”, afirmou o delegado Américo Santos Neto. Segundo ele, foi o flagrante feito em um mercado no dia 16 de agosto que levou a polícia ao depósito. Na ocasião, foi encontrado um lote de manteigas vencidas expostas na prateleira e um dos funcionários falou sobre a existência do depósito. “Encontramos também muitos sacos plásticos com achocolatados, farinha de trigo e açúcar, sem identificação nem procedência. Frango picado para fazer salgadinhos também estava em um saco plástico e o cheiro era muito forte no subsolo, onde ficavam as duas câmaras frigoríficas”, disse o delegado.

Quando chegou ao local, a polícia encontrou dez mulheres trabalhando. As funcionárias manuseavam produtos com datas de validade vencidas, um dos quais havia expirado em janeiro. A chef de cozinha foi presa em flagrante e indiciada pela lei que dispõe sobre as relações de consumo. De acordo com a polícia, a pena por vender ou ter em depósito mercadoria sem especificação, procedência e imprópria para o consumo é de 2 a 5 anos de prisão.

O proprietário, José Maurício Costa Vanzella, que é o dono de 12 franquias do mercado, ainda não foi encontrado. A polícia aguarda sua apresentação ainda nesta quinta-feira, 22, e pode pedir sua prisão caso ele não se apresente. “Não se pode comprometer toda a rede e isso se deve a atuação errada de um franqueado”, destacou o delegado.

Todos os funcionários foram ouvidos como testemunhas e confirmaram a falta de higiene e a presença de alimentos impróprios para o consumo, assim como a presença de alimentos vencidos, baratas e roedores no local.

A Vigilância Sanitária determinou a interdição imediata da confeitaria e informou que outras unidades serão inspecionadas. Em nota, o órgão diz que todo o material apreendido – cerca de duas toneladas de alimentos – será descartado em aterro sanitário. Deverá ser aplicada uma multa com base da legislação municipal, cujo valor pode chegar a R$ 250 mil.