Uma semana depois da passagem de uma lama preta pelo Rio Tietê que causou a morte de 40 toneladas de peixes, um trecho do Rio Jundiaí apresentou grossa camada de espuma cor de rosa, na quinta-feira (4), em Salto, região de Sorocaba.

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O fenômeno, que atraiu a atração de curiosos, surgiu num trecho em que o rio corta a área urbana, um quilômetro antes de desaguar no Tietê. O vereador Edimilson Santos (DEM), de uma comissão que investiga despejos irregulares nos dois rios, disse haver evidências do lançamento de efluentes industriais nas águas.

Segundo ele, no local existem emissários provenientes de indústrias da região. A espuma se formou num ponto em que o Rio Jundiaí forma uma corredeira. Na manhã desta sexta-feira, a espuma colorida já havia desaparecido, o que aumentou o convencimento do vereador de um lançamento ocasional de resíduos químicos na água. “Embora não seja um fato comum, não é a primeira vez que isso acontece”, disse.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) enviou técnicos ao local. Foram colhidas amostras, mas o laudo ainda não ficou pronto.

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Capital

A mancha de poluição que matou peixes no Rio Tietê em Salto no dia 27 de novembro saiu da capital, afirma relatório entregue pela prefeitura da cidade do interior ao Ministério Público Estadual. De acordo com o secretário de Meio Ambiente, João de Conti Neto, a prefeitura obteve relatos de que a água preta passou por Santana de Parnaíba, cidade próxima de São Paulo, antes de chegar a Salto.

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Após passar pela cachoeira, no centro de Salto, a água escura obrigou os cardumes que subiam o Tietê a migrarem para um córrego com pouca água, resultando na mortandade. “O Rio Tietê recebe muito esgoto e poluição quando passa por São Paulo e nós é que pagamos o pato”, disse Conti Neto.

O município pediu a ação do MPE por não ter jurisdição para fazer apuração em outra cidade. “O Tietê é um rio estadual e o Ministério Público tem competência para apurar as responsabilidades pelo desastre ambiental e tomar as medidas para a reparação do dano.” O Ministério Público já abriu um inquérito para apurar a morte dos peixes.

Para a Cetesb, o desastre ambiental pode ser resultado das chuvas que atingiram a região, após longo período de estiagem. A lama preta formou-se com a remoção de resíduos depositados na calha do Tietê na Grande São Paulo. Para escapar da poluição, os peixes subiram o Córrego do Ajudante, mais limpo, porém com pouca água, morrendo por falta de oxigênio. Ambientalistas estimam que levará quatro anos para que a fauna aquática do Tietê na região seja recomposta.