Clinton: críticas à guerra no Iraque.

São Paulo – O ex-presidente dos EUA Bill Clinton, falando na inauguração do Instituto Fernando Henrique Cardoso em São Paulo, disse que não concorda com as atitudes dos EUA no Iraque, mas também não compartilha da crença de que o motivo de tudo é o poder e o petróleo.

“Eles crêem que este momento de poder militar e econômico sem precedentes dos EUA deve ser aproveitado para limpar o mundo”, disse. “Mas a democracia não pode ser imposta. Os iraquianos têm que querê-la.” Para Clinton, os EUA devem retirar-se, dar lugar à ONU e apoiá-la para que atue de forma a resolver a questão.

Clinton defendeu, fortemente, que devemos ser otimistas em relação ao estado da democracia no mundo e ressaltou o papel cada vez mais importante das ONGs para o estabelecimento deste regime que é, segundo ele, o único caminho a ser tomado. “As democracias são mais do que eleições onde você tem a maioria que vence. São lugares onde há direitos das minorias e também liberdades fundamentais: de associação, de imprensa, de religião. E existe uma necessidade de limite ao poder do governo, para evitar os abusos. Onde o governo é limitado e as minorias respeitadas, a democracia é forte e o papel das ONGs é ainda mais importante”, defendeu.

Ele destacou o fato de que a maior parte das nações hoje vive sob regimes democráticos, mais e menos fortes, e até mesmo na China, maior nação do mundo, a democracia está chegando. O ex-presidente ressaltou também a verdadeira ameaça à democracia, que é, na opinião dele, a incapacidade do regime de conseguir melhorar a vida das pessoas, ou de mostrar que a vida delas poderá ser melhor.

O atual regime democrático e as instituições internacionais, entre elas o FMI, foram os principais alvos de críticas de Bill Clinton. Ele falou por cerca de uma hora para um auditório composto por personalidades políticas, empresariais e do sistema financeiro, pediu a redemocratização das instituições internacionais e não poupou críticas ao FMI, onde um país como a Bélgica, segundo ele, tem mais votos que o Brasil.

Clinton aproveitou a oportunidade para elogiar a gestão Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) nas áreas de reforma agrária, saúde e educação. Por diversas vezes ele mencionou a política de prevenção à Aids, iniciada durante a gestão FHC. “O Brasil é o único país do mundo de economia emergente que está fazendo a coisa certa em relação à aids. Devemos dar visibilidade a esse programa.” Ele disse ainda que FHC ajudou o Brasil e o mundo e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua com esse compromisso.