| Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr |
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| Comandante Luiz Carlos Bueno: irritando companheiros de farda. |
Brasília (AE) – Ao decidir pela demissão do diretor do Departamento de Controle Aéreo (Decea), brigadeiro Paulo Roberto Vilarinho, o comandante da Aeronáutica, Luiz Carlos Bueno, atiçou a insatisfação na Força Aérea Brasileira e pôs em risco o próprio cargo. A atitude de Bueno de entregar a cabeça de subordinados – no primeiro momento do coronel Lúcio Rivera, chefe do centro de controle aéreo de Brasília (Cindacta-1), e, agora, de Vilarinho – para preservar seu próprio cargo foi mal recebida pelos companheiros de farda. O brigadeiro Vilarinho foi exonerado sexta-feira à noite. No lugar dele, assumirá o também brigadeiro Paulo Hortêncio Albuquerque Silva, que estava à frente do 3.º Comando Aéreo Regional (Comar), no Rio.
Contrariado com Bueno, Vilarinho, transferido para o Departamento de Ensino da Aeronáutica, já disse a amigos que pode pedir passagem para a reserva. Ele afirmou não aceitar ter sido demitido, porque não se julga o único responsável pela crise nos aeroportos. A saída de Vilarinho já tinha sido aventada quando foi decidido o segundo aquartelamento do pessoal do Cindacta-1, na véspera do feriado de 15 de novembro. Ali, houve uma reunião do Alto Comando e a opção foi pela saída de Rivera. Mas, desde então, Vilarinho já sabia que poderia ser o próximo da lista.
Na quinta-feira, com o agravamento da crise, considerada fora do controle do comando da Aeronáutica, Bueno resolveu entregar a cabeça de Vilarinho. Antes, avisou ao ministro da Defesa, Waldir Pires, que tomou a decisão para mostrar que ainda tem o controle da situação no centro de Brasília e nos outros Cindactas.
Os militares, porém, entendem que Bueno é o comandante da FAB e o responsável pela situação atual. Ele já era o comandante em 2003 quando foram feitos estudos advertindo para o problema de carência de pessoal no controle de vôo e de que haveria o colapso no setor aéreo. Para os colegas, o brigadeiro não pode dizer, como tem dito, que não sabia que a situação chegaria ao ponto atual.



