A delegada da Polícia Federal Renata Madi confirmou que teve relações sexuais com o coronel Ubiratan, comandante do Massacre do Carandiru morto em 2006 em seu apartamento.

A declaração, registrada no inquérito que investigou a morte do oficial, foi lida hoje no início da segunda sessão do julgamento de Carla Cepollina. Ela será julgada por homicídio triplamente qualificado (por crueldade, motivo fútil e sem chance de defesa).

Carla é acusada de matar o coronel Ubiratan, com quem namorava, por ciúmes. De acordo com a polícia, momentos antes do crime, o casal teria discutido por causa do relacionamento do oficial com Madi. Naquela noite, vizinhos teriam ouvido barulho parecido com um tiro.

Renata foi convocada a prestar seu depoimento durante o julgamento mas, como não compareceu ontem ao Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, foi lido seu depoimento.

Ainda segundo o depoimento lido, Madi conhecia o coronel há pelo menos seis anos mas manteve uma relação amorosa “superficial” com ele. A delegada ainda afirmou que os dois se falavam todos os dias.

No dia do crime, Renata teria ligado duas vezes para a casa de Ubiratan após receber uma mensagem dele em seu celular. Na segunda ligação, Carla teria atendido o telefone e dito “você não pode falar com o coronel agora porque a gente está brigando”.

A delegada afirmou que foi informada da morte do oficial somente às 23h40 do dia 9 de setembro, pelo cabo Pernambuco, melhor do amigo do coronel.

O julgamento estava previsto para começar às 12h de hoje, mas um problema nas instalações elétricas do fórum interrompeu o abastecimento de luz. Após a normalização da falha, a audiência foi iniciada às 14h20.

Segundo o Tribunal de Justiça, a sessão de hoje começaria com a leitura de algumas peças processuais. Na sequência, a acusada será interrogada e serão realizados os debates entre defesa e acusação. Por fim, os jurados se reunirão para determinar o veredicto.

Cepollina será julgada por homicídio triplamente qualificado (por crueldade, motivo fútil e sem chance de defesa). Ontem, no primeiro dia de júri, ela foi expulsa durante a sessão após se revoltar contra uma testemunha que prestava depoimento.

Na ocasião, o delegado Marco Antonio Olivato que investigou o caso a época do crime estava sendo ouvido, e negou ter chantageado Cepollina. Neste momento, ela se exaltou e interrompeu o depoimento, afirmando que ele “falou sim”. Com isso, o juiz determinou sua retirada da sessão.

Ontem, Liliana Prinzivalli, mãe e advogada de Carla, dispensou todas as cinco testemunhas de defesa por acreditar que todas as provas já são favoráveis à filha.