Brasília – A maioria dos deputados que integram o Conselho de Ética, incluídos titulares e suplentes, defende a cassação do mandato dos deputados Roberto Jefferson (PTB-RJ) e José Dirceu (PT-SP) por quebra de decoro parlamentar. Dos 29 integrantes do conselho, foram ouvidos 26. Desse total, 19 aceitaram participar da enquete e responder à pergunta sobre a cassação. Sete deputados preferiram não se manifestar. O voto foi secreto e em cédula. Se a decisão fosse hoje, e se todos os 29 conselheiros tivessem direito ao voto, Jefferson e Dirceu seriam cassados no conselho. Dos 19 deputados, 17 votaram a favor da cassação de Jefferson e 16 votaram pela perda de mandato de Dirceu.

Apenas dois votos foram contrários à cassação do petebista e três, contra a cassação de Dirceu. A pesquisa foi realizada entre quarta-feira e sexta-feira da semana passada. No Conselho de Ética, os 15 titulares têm prerrogativa de voto. O presidente, Ricardo Izar (PTB-SP), só votará se houver empate no resultado final, após a apuração entre os 14 votantes. É o voto de minerva. Ou seja, bastam oito votos para que o relatório de cassação seja aprovado. Os suplentes votam apenas na ausência dos titulares de seus partidos. Eles participam normalmente da reunião. Como podem votar na ausência dos titulares, o jornal decidiu incluir os suplentes na enquete.

Durante a realização da pesquisa, vários parlamentares fizeram questão de ressaltar que o voto em relação a Dirceu pode ser alterado no curso das investigações do Conselho. O processo contra o ex-ministro ainda está no início e sequer as testemunhas de defesa que ele indicou foram ouvidas pelos parlamentares. O caso de Roberto Jefferson é diferente. O prazo de 90 dias de investigação já está vencendo, a instrução probatória já terminou e o relatório de seu processo já foi lido pelo relator Jairo Carneiro (PFL-BA).

O prazo de 90 dias para votação do caso de Jefferson esgota-se em 6 de setembro. O petebista deve ter seu mandato cassado no Conselho na próxima quinta-feira, quando irá a voto o parecer do relator. Ele foi acusado pelo PL de ter denunciado, sem provas, o esquema de pagamento de mensalão a parlamentares.

José Dirceu está se preparando para enfrentar a batalha no conselho. Ele já avisou que pode recorrer a qualquer momento ao STF para evitar a cassação de seu mandato.

Os integrantes do Conselho de Ética preferem não falar abertamente sobre intenção de voto, mas relatam a missão delicada de ter que cassar um colega da Câmara. "É uma tarefa complexa essa de decidir o futuro político de um mandato outorgado pelo povo. Não é prazeroso para ninguém", disse o deputado Orlando Fantazzini (PT-SP), titular do conselho.

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse que prevalece o senso de dever cumprido. "Ninguém vê com alegria o fato de cassar e julgar colegas de Parlamento, mas é a função que nos cabe enquanto conselheiros. Fazemos motivados pelo senso de responsabilidade e se não dá alegria, há pelo menos uma sensação de dever cumprido", afirmou.