A decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nelson Jobim, de garantir a realização da convenção do PMDB, no sábado, causou um certo constrangimento na corte. Jobim cassou despacho redigido cinco horas antes pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Sálvio de Figueiredo Teixeira, que suspendia o encontro dos convencionais após analisar um pedido da ala oposicionista do PMDB. Evitando críticas ao colega, Sálvio fez questão de afirmar, porém, que a sua decisão foi jurídica e que não se arrepende dela. ?Estou plenamente tranqüilo com a minha consciência: fiz e voltaria a fazer (suspender a convenção)?, disse o corregedor-geral. Para ele, Jobim ?olhou a questão sob o ângulo de presidente de tribunal?.

Sálvio não quis comentar também o fato de Jobim ter recebido em seu apartamento em Brasília políticos do PMDB horas antes de derrubar a decisão que impedia a convenção. Indagado se adotaria o mesmo comportamento, o corregedor-geral disse: ?Isso é um problema de cada um.? Ex-deputado federal pelo PMDB gaúcho e amigo pessoal do candidato do PSDB à Presidência, José Serra (PSDB-SP), Jobim confirmou que seus ex-colegas de partido estiveram em sua residência na madrugada de sábado. Mas negou informações de ele teria instruído os políticos a como recorrer contra a decisão de Sálvio. Jobim afirmou que apenas orientou-os a entregar o recurso para um assessor jurídico do Tribunal.