A biblioteca, com mais de 100 mil títulos, está em processo de informatização. A igreja, inaugurada em 1914, passa pelo maior processo de restauração de sua história, com término previsto para o fim do ano que vem. Há filas de espera para o famoso brunch que ocorre dois domingos por mês – amanhã, o evento comemora dez anos. Com a demanda, a loja de pães tradicional da casa ganhou uma filial badalada nos Jardins.

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Esses são alguns dos pontos altos da gestão do religioso Mathias Tolentino Braga à frente do Mosteiro de São Bento – neste ano, ele completa uma década como abade da instituição, que existe no centro de São Paulo desde 1598. Eleito pela comunidade beneditina – com 35 monges – em 2006, ele assumiu o comando da casa aos 41 anos. É o mais jovem abade da história do quatrocentão monastério. Sua preocupação, conforme disse ao Estado em uma rara entrevista, foi manter “a continuidade da tradição”.

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Entretanto, há uma clara abertura. “Não podemos ignorar o fato de que a cidade que nos circunda hoje é muito diferente daquela de quando a casa foi fundada, ou mesmo da São Paulo de 30 mil habitantes que existia há 150 anos”, diz.

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Mineiro de Presidente Olegário, Braga nasceu Euclides – o nome Mathias foi adotado quando ingressou na ordem beneditina. De formação católica, mudou-se para Brasília para concluir os estudos. Ali formou-se técnico em processamento de dados. Em 1984, entrou para a Força Aérea Brasileira, como cadete aviador. Aprendeu a pilotar aviões e tornou-se paraquedista. Mudou-se para São José dos Campos, no interior paulista, para cursar engenharia eletrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) – formou-se em 1992. “Foi nessa época que conheci o Mosteiro”, conta. “Em 1990, passei a vir para cá para estudar grego.”

A afinidade entre Braga e o ambiente beneditino fez aflorar a vocação. Em 1993, ele entrou para a comunidade. Antes de assumir o cargo máximo, exerceu os papéis de celeiro – um “secretário das finanças” – e prior, que é o cargo imediatamente abaixo do abade.

Os eventos recentes – do fato de o Mosteiro ter hospedado o papa Bento 16, em 2007, às exposições pop, como a que contou a história do personagem Pequeno Príncipe, em julho, e levou 27 mil pessoas em duas semanas ao monastério – têm aumentado o interesse do paulistano pela instituição. “É uma preocupação da Igreja: temos de deixar as portas abertas e também sair ao encontro das pessoas”, diz o abade.

Também há uma presença maior dos beneditinos na internet, nas redes sociais. “Lidar com a mídia hoje é uma questão geral da sociedade e não seria diferente para nós, monges. Sempre os mosteiros tiveram jornais e revistas. Hoje estamos no Facebook”, compara. “Mas é preciso ter cuidado: a vida monástica exige também uma preservação do mundo.”