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Foto: Agência Brasil

Lula: mais reuniões com Jader Barbalho do que com o presidente do PT.

Renascido politicamente depois de ter renunciado em 2001 ao mandato de senador para evitar a cassação por falta de decoro, o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA) tornou-se parceiro do PT, conselheiro político e interlocutor preferencial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ponto de Lula ter mais reuniões com ele do que com o presidente (interino) do PT, Marco Aurélio Garcia. Só nesta semana foram duas – uma na terça, sigilosa, e outra na quarta, aberta.

Anteriormente execrado pelos petistas por causa do passado manchado por suspeitas de corrupção, Jader foi o coordenador da campanha vitoriosa de Ana Júlia, candidata do partido ao governo do Pará. Antes da campanha os dois nem sequer se cumprimentavam. Agora, neo-amigo de Ana Júlia, Jader está na linha de frente das negociações para definir os cargos que o PMDB terá no segundo governo Lula. Coube a ele redigir o documento que vai selar a coalizão do PMDB com o PT. É isso que faz no momento, num retiro no interior do Pará.

Nos seguidos encontros com o presidente Lula, este, em gratidão, lhe fez duas propostas: apoiá-lo para presidente da Câmara ou para presidente do PMDB. Jader respondeu a Lula: ?Presidente, vamos encarar a realidade. Posso ser muito útil ao governo atuando nos bastidores. Mas não posso assumir ainda nenhum papel institucional. Haverá especulações a respeito de minha presença e o prejuízo será todo do governo?, disse.

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Jader referia-se, claro, não só à denúncia de que, à frente do Ministério da Reforma Agrária, em 1988, pagou 59 vezes mais por terras em Parintins, no Amazonas, mas também a outros processos. Entre eles, fraude na extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e no Banco do Estado do Pará (Banpará). Lula não esconde a gratidão que sente por Jader Barbalho, conselheiro que teve coragem de lhe dizer coisas difíceis durante a campanha, responsável também pelo milagre de ter levado Ana Júlia para o segundo turno e, depois, por sua vitória.

No dia 2 de outubro, uma segunda-feira, Lula e toda sua equipe de campanha enfrentavam um grande baixo astral por causa da passagem do tucano Geraldo Alckmin para o segundo turno. Havia a suposição de que Lula despencaria nas pesquisas e Alckmin subiria. Jader aproveitou a presença dos recém-eleitos governadores Jaques Wagner (BA) e Marcelo Deda (SE) – que se dão muito bem com os meios de comunicação – e disse a Lula: ?Presidente, desculpe a franqueza. Se o senhor não mudar o seu modo de se relacionar com a mídia, se não fizer as pazes com a TV Globo, o senhor pode até vencer a eleição, mas não governa. O senhor errou ao não ir ao debate da Globo. Não pode repetir isso. Dê um jeito de se aproximar de todo mundo, pare de fugir, dê o máximo de entrevistas?, disse.

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Lula ainda argumentou que as perguntas seriam sempre as mesmas, a respeito de dossiê Vedoin, sanguessugas, mensalão. Jader replicou: ?Responda a todas. Diga que não tem nada a ver com isso?. Lula não parou mais de dar entrevistas. Cansou de falar de dossiê, sanguessugas, mensalão.

Supremo aceita denúncia contra Jader

Foto: Arquivo/O Estado

Jader: processo por desvio de dinheiro público. 

Brasília (AE) – Negociador do PMDB junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a montagem do novo ministério, o deputado federal Jader Barbalho (PMDB-PA) tornou-se ontem réu em uma ação criminal aberta pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma decisão unânime, o plenário do STF recebeu uma denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra o parlamentar. Jader Barbalho é acusado de envolvimento com desvio de recursos públicos no processo de desapropriação do imóvel rural Vila Amazônia por meio da suposta supervalorização da indenização.

O Ministério Público Federal suspeita que foi praticado o crime de peculato. A desapropriação ocorreu em 1988, quando o deputado era ministro da reforma agrária. As terras, situadas no município de Parintins, no Estado do Amazonas, seriam usadas na reforma agrária.

De acordo com informações divulgadas pelo STF, a indenização foi estipulada inicialmente em CZ$ 7,5 milhões. Mas os proprietários recusaram a avaliação e propuseram um acordo no valor de CZ$ 313 milhões. O então secretário de assuntos fundiários, Antônio César Pinho Brasil, concluiu que o valor era justo. Conforme o Ministério Público, Barbalho, por meio de uma portaria ministerial, homologou o acordo para pagamento da indenização. Além de Barbalho, Brasil responderá à ação.

Indícios fortes contra deputado

Brasília (AE) – Apesar de ser conselheito e na hora certa ter dado conselhos para salvar a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não vai ser fácil Jader Barbalho salvar a própria pele. Durante o julgamento do processo contra o deputado Jader Barbalho, o ministro Ricardo Lewandowski disse que existem indícios suficientes de autoria do crime. Segundo ele, a documentação é consistente. O ministro observou que o valor da indenização foi aumentado em mais de 50 vezes. Advogado de Jader Barbalho, Eduardo Alckmin disse que a defesa está tranqüila e vai conseguir provar a inocência do deputado. Segundo ele, os valores utilizados na época da avaliação estavam defasados, já que o período era de grande inflação. ?O deputado tem todo o interesse em mostrar a sua inocência?, afirmou o advogado.